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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

COMPULSÃO POR INTERNET E DEPRESSÃO – O QUE VEM PRIMEIRO? O OVO OU A GALINHA?

Nada é perfeito. Tudo tem o seu lado bom e o lado ruim. É claro que ganhamos muito com a era da globalização, mas infelizmente, muitas pessoas estão pagando um ônus por toda essa tecnologia que cada dia avança mais e mais.
Segundo a psiquiatra Evelyn Vinocur, aumentou muito o número de pacientes que vão à sua clínica em busca de tratamento para compulsão por jogos de videogames e ou pela internet. Muitos pais chegam desesperados ao consultório, pois os filhos passam a maior parte do tempo no computador ou em videogames, comprometendo o rendimento escolar e as habilidades sociais, afirma a especialista.
Segundo Evelyn, cerca de 65% de um dos cônjuges (às vezes o casal precisa de tratamento) acaba precisando de tratamento também, tão grande se torna o sentimento de desespero, impotência e angústia que toma conta daquela casa. Não raro a dinâmica familiar se torna caótica dando presença a atitudes hostis e ameaçadoras entre pais e filhos.
Cerca de 70% das crianças e adolescentes compulsivas à internet apresentam comorbidades, principalmente com Depressão, Transtornos de Ansiedade social, Obesidade, Tiques, TDA/H, entre outros problemas emocionais, exigindo diagnóstico e tratamento precoces, que geralmente inclui o uso de antidepressivos e terapia cognitivo comportamental, associado a Psicoeducação familiar.
E o problema se estende à população mundial. O texto transcrito abaixo, atual, foi publicado no site da ABP – Associação Brasileira de Psiquiatria – falando da extensão do problema, que pode chegar a resultados catastróficos.
Confiram:
Estudo britânico vincula excesso de Internet à depressão
Pesquisadores dizem que interagir socialmente apenas pela internet pode levar a transtornos psicológicos.
Quem passa muito tempo na Internet tem mais propensão a apresentar sintomas de depressão, disseram cientistas britânicos nesta quarta-feira, 3. Não está claro, no entanto, se a Internet causa depressão ou se a rede atrai os deprimidos.
Psicólogos da Universidade de Leeds disseram ter notado uma "impressionante" evidência de que alguns internautas desenvolvem uma compulsão na qual substituem a interação da vida real por salas de bate-papo e sites de relacionamento social.
"Este estudo reforça a especulação pública de que o excesso de engajamento em sites que servem para substituir a função social normal poderia levar a transtornos psicológicos correlatos, como depressão e dependência", disse a principal autora do estudo, Catriona Morrison, em artigo na revista Psychopathology. "Este tipo de 'surfe aditivo' pode ter um sério impacto sobre a saúde mental."
No primeiro grande estudo com jovens ocidentais sobre essa questão, os pesquisadores analisaram o uso da Internet e os níveis de depressão entre 1.319 britânicos de 16 a 51 anos de idade. Concluíram que 1,2% deles eram viciados em internet.
De acordo com Morrison, esses dependentes passavam proporcionalmente mais tempo em sites com conteúdo sexual, de games ou de comunidades online. Tinham também uma incidência maior de depressão moderada ou severa do que a média dos usuários normais.
"O uso excessivo da Internet está associado à depressão, mas o que não sabemos é o que vem primeiro - as pessoas deprimidas são atraídas para a Internet, ou a Internet causa depressão?", escreveu Morrison.
"O que está claro é que para um pequeno subconjunto de pessoas o uso excessivo da Internet poderia ser um sinal de alerta para tendências depressivas."
Morrison notou que, embora o porcentual de 1,2% de dependentes da Internet seja "pequeno", representa o dobro da incidência dos viciados em jogo na Grã-Bretanha, que é de cerca de 0,6%.

Veículo: Estadao.com.br
Seção: Saúde
Data: 03/02/2010
Estado: Nacional

VIDEOGAME CAUSA DEPENDÊNCIA

Videogame causa dependência

Mal afeta crianças e adolescentes, que têm sintomas iguais aos do vício em drogas. Santa Casa tem tratamento grátis

Veículo: O Dia
Seção: Ciência e Saúde
Data: 03/02/2010
Estado: RJ

Nove entre dez crianças e adolescentes são apaixonados por videogames e computadores. A brincadeira, porém, pode acabar se tornando um vício se não houver controle rígido dos pais em relação às horas passadas em frente à tela. Para detectar e tratar casos da chamada “dependência eletrônica”, a Santa Casa de Misericórdia, no Centro, abriu 50 vagas no ambulatório de Psiquiatria Infantil. O doença pode provocar grave queda no rendimento nos estudos e até evasão escolar, quando os jovens simplesmente deixam de ir à aula para jogar.

Segundo o chefe do setor, Fábio Barbirato, os sintomas se assemelham à dependência em drogas, como agressividade e ‘fissura’, entre outros. O especialista alerta que os pais devem começar a se preocupar quando a criança abandona atividades cotidianas — como se alimentar e conviver com amigos — para ficar no mundo virtual. São consideradas ‘normais’ até duas horas por dia de jogos eletrônicos e Internet para crianças e adolescentes.

Barbirato explica que outro indicativo é um comportamento agressivo prolongado — que ultrapassa a ‘birra’ — quando aparelhos eletrônicos são desligados e limites, impostos. “Em casos extremos, a criança pode pegar dinheiro escondido para ir a lan houses e até abandonar a escola para jogar. Muitos pais não sabem impor limites. Há possibilidade de este jovem se tornar um adulto com vícios em pôquer, bingo ou álcool”.

O tratamento para esses casos, diz Barbirato, é feito com consultas semanais de, aproximadamente, uma hora. O psicólogo trabalha com compensações, dando prêmios a quem conseguir ficar longe das máquinas. Os pais participam de reuniões em grupo, onde são orientados. Serão aceitos adolescentes de 12 a 16 anos, com diagnóstico do vício.

FIQUE DE OLHO

CRISE DE ABSTINÊNCIA

A criança com a dependência eletrônica fica extremamente nervosa quando os aparelhos são desligados. A irritação só acaba quando o jogo é retomado.

24 HORAS DE JOGO

A criança dependente é capaz de ficar 24 horas por dia jogando e esquece das outras atividades. O sintoma pode prejudicar o rendimento nos estudos e causar evasão escolar.

FISSURA

O termo caracteriza a necessidade de o jovem estar em contato com os jogos. Para isso, ele é capaz até de pegar dinheiro para pagar lan houses.

ACESSO A TRATAMENTO

A Santa Casa de Misericórdia vai iniciar triagem e diagnóstico dos casos em março, para a seleção dos 50 pacientes de 12 a 16 anos. Para marcar um horário, deve-se ligar a partir de hoje para 2533-0118. O hospital fica na Rua Santa Luzia, 206, Centro do Rio.

domingo, 11 de outubro de 2009

COMO FOI O ENCONTRO GAB - GRUPO DE APOIO AO TRANSTORNO BIPOLAR PARA CRIANÇAS, ADOLESCENTES E ADULTOS, DO DIA 06 DE OUTUBRO DE 2009.

Na terça-feira passada, dia 06 de Outubro de 2009, foi realizado mais um encontro do GRUPO GAB, ou Grupo Afetivo Bipolar, em Vila Isabel.

O grupo é moderado pela neuropsiquiatra EVELYN VINOCUR, que atende crianças, adolescentes e adultos com transtornos de ordem emocional. Estiveram presentes cerca de vinte participantes, entre familiares e portadores, inclusive adolescentes.

*** POR VONTADE DO GRUPO, EM TODOS OS ENCONTROS DO GAB, FAREMOS, DAS 17 ÀS 18 HORAS, O GRUPO-DE-ESTUDOS GAB, ONDE ESTUDAREMOS AS TÉCNICAS COGNITIVO-COMPORTAMENTAIS MAIS RECENTES PARA O MANEJO DO TRANSTORNO BIPOLAR.

*** SEGUIREMOS PREFERENCIALMENTE, O LIVRO QUE TAMBÉM FOI LANÇAMENTO DO SIMPÓSIO, QUE É VENCENDO O TRANSTORNO BIPOLAR.

**** A PARTIR DAS 15 HS, O AUDITÓRIO FICARÁ ABERTO PARA OS PARTICIPANTES QUE QUISEREM CHEGAR MAIS CEDO. VAI FICAR RESERVADO DAS 15 ÀS 17HS, PARA OS PARTICIPANTES, COMO UM ESPAÇO SOCIAL, UM GAB-POINT.LEMBRANDO QUE

O PRÓXIMO ENCONTRO GAB SERÁ NO DIA 10 DE NOVEMBRO, AS 17 HORAS, NO MESMO LOCAL.

QQ DÚVIDA = 21 2576-5198 // 21 9989-5798.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Dra Evelyn Vinocur E Prof Joseph Sergeant, IV Congresso ABDA


PROF JOSEPH SERGEANT, ESPECIALISTA EM TDAH DA VRIJE UNIVERSITEIT, AMSTERDAM, HOLAND AO LADO DA DRA EVELYN VINOCUR, NO IV CONGRESSO INTERNACIONAL DA ABDA NO RIO DE JANEIRO, 2009.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

TDAH E O INSUCESSO NA ESCOLA


TDAH E O INSUCESSO NA ESCOLA

Entre o ensinante e o aprendente abre-se um campo de diferenças onde se situa o prazer de aprender. O ensinante entrega algo, mas para poder apropriar-se daquilo o aprendente necessita inventá-lo de novo. É uma experiência de alegria, que facilita ou perturba, conforme se posiciona o ensinante. Ensinantes são os pais, os irmãos, os tios, os avós e demais integrantes da família, como também os professores e os companheiros na escola.
É importante analisar, para tanto, do que a família exatamente se queixa quando procura um psicopedagogo. Ela pode vir ao consultório porque está exausta e precisa de ajuda, ou porque a escola pediu uma avaliação, ou ainda, porque a psicóloga quer uma visão psicopedagógica para traçar uma estratégia de abordagem junto à escola, ou ainda porque o neurologista mandou. Para cada demanda, lê-se uma necessidade diferente e uma possibilidade de envolvimento mais ou menos comprometida com a criança e seu desenvolvimento. É diferente se a queixa se concentra na preocupação dos pais com o futuro de seus filhos, ou se a queixa tem por interesse o bom andamento das avaliações escolares.Posto dessa forma interessa-nos não apenas se a criança sofre de um transtorno, um déficit ou uma síndrome, mas também quem são os ensinantes dessa criança. Esse dado será fundamental para traçarmos um plano de ação que se estenda à família, à escola e aos outros profissionais que podem estar envolvidos no processo.Os pontos em comumTem sido muito comum nos consultórios de psicopedagogia a queixa de pais que verdadeiramente desabam, denunciando estarem exaustos com a rotina estressante que seus filhos lhes impõem. Discorrem as várias estratégias já tentadas com o objetivo de atendê-los em suas necessidades e agitação, todas elas, na maioria das vezes, ineficazes. Os pais compreendem o que acontece com seus filhos e ficam perplexos diante do tumultuo que causam em suas famílias. À medida que se estabelece a anamnese, é comum os pais se referirem ao transtorno do Déficit de Atenção/ Hiperatividade (TDAH).No entanto, junto com a demonstração de conhecimento do fato, aparece o discurso de que seus filhos são inteligentes, que quando lhes interessa prestam atenção, que eles aprendem só o que não é para aprender, que eles esquecem as matérias da escola, mas lembram com detalhes das regras de um game. Enfim, evidencia-se a dúvida em relação ao transtorno por entenderem que, se tivessem o transtorno (TDAH) teriam de ser menos inteligentes e menos competentes de forma geral.O mesmo acontece com os professores. Quando procurados para saber o motivo pelo qual encaminharam ou deram apoio para a procura de um diagnóstico psicopedagógico de determinado aluno, é comum revelarem que ficam na dúvida entre um transtorno de Déficit de Atenção e o perfil de preguiçoso. Muitos professores entendem o comportamento de uma criança agitada e dispersa como falta de vontade para estudar, para fazer as lições, terminar uma prova, etc. Quando tentamos tipificar o comportamento, os professores afirmam que quando eles desejam, fazem; que eles não param quietos, no entanto ficam horas e horas na frente do computador ou tocando um instrumento, não decoram a tabuada, mas sabem cantar uma música inteira. Alguns professores reclamam que esses alunos são terríveis, não param quietos e não respeitam regras e contratos disciplinares, porém sabem todas as regras do futebol. Percebem que a criança é inteligente para algumas coisas e muito ágil mentalmente para tudo que lhes interessa, menos para os estudos.Ouvindo tanto os pais quanto os profissionais da escola o que se percebe é o cansaço que essas crianças causam em seus pais e professores e a dúvida de como eles, sendo tão ágeis e inteligentes, não conseguem prestar atenção e desenvolver, com sucesso, atividades corriqueiras do dia-a-dia, que são propostas tanto pela família quanto pela escola, tais como arrumar o quarto, fazer as lições escolares, obedecer a regras combinadas, dentre outras. A incapacidade de prestar atenção ou de ficar quieto leva os adultos que convivem com essas crianças a considerá-las malandras e, freqüentemente, são rotuladas de irresponsáveis, malcriadas, endiabradas, avoadas, surdas e até mesmo, pouco inteligentes. O rol costuma ser de adjetivos pejorativos e, como resultado, os pais e educadores vivem conflitos entre sentirem-se impotentes diante da criança e a vontade de ajudá-los. Não percebem o esforço que essas crianças fazem para obter sucesso em suas tarefas e que se fazem coisas com aparente facilidade é porque estavam altamente estimulados para aquela investida.O Transtorno de Déficit de Atenção/HiperatividadeEsse transtorno tem por característica essencial “um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade, mais freqüente e grave do que aquele tipicamente observado nos indivíduos em nível equivalente de desenvolvimento”. (Manual de Transtornos Mentais – DSM)Quando a criança apresenta problemas de convívio social, de rendimento escolar, ou ambos, fica mais fácil identificá-los e encaminhá-la para atendimento. O diagnóstico é clínico e caracteriza-se por duas formas: predomínio do padrão hiperativo-impulsivo e tipo predominantemente desatento, embora possa haver o tipo combinado, que apresenta características dos dois grupos.Para ser considerado portadora de TDAH é preciso que a criança apresente os sintomas há mais de seis meses e que eles apareçam em situações diversas.[1] A criança predominantemente hiperativa-impulsiva apresenta inquietação, não parando sentada ou quieta - não se mantém sentada por muito tempo, cai da cadeira, se mexe mais do que o necessário, anda mais do que o necessário, fala excessivamente, não consegue esperar que o outro termine o que está falando, tem muita dificuldade em permanecer em silêncio, responde a perguntas antes que elas sejam formuladas completamente, age como se fosse “movida a motor” e tem dificuldade para esperar sua vez.A predominantemente desatenta tem dificuldade para prestar atenção, esquece coisas rotineiras ou deixa de fazer coisas importantes, parece não ouvir quando se fala com ela, tem dificuldade de organização e não enxerga detalhes. Freqüentemente perde objetos e não suporta atividades que requeiram esforço mental prolongado.Ambas podem, ainda, apresentar dificuldade para terminar uma tarefa, para respeitar limites e regras, para dormir e para relacionar-se. Algumas crianças não suportam frustrações e, por conseqüência, frustram-se muito; outras não avaliam o perigo, não aprendem com os erros do passado e são difíceis de agradar. Há, também, as que são agressivas, inflexíveis e com percepção sensorial baixa. Muitas crianças têm dificuldades com a aprendizagem e com as tarefas escolares.O diagnóstico: como avaliar?Para se chegar a um diagnóstico satisfatório, é necessário que a criança apresente pelo menos seis dos sintomas acima relacionados, em ambientes diferentes como casa, escola, clube, casa de parentes, etc., e que os sintomas tenham aparecido antes dos sete anos de idade.O encaminhamento para um neuropediatra é imprescindível para isolar outras possibilidades diagnósticas como depressão, ansiedade, conduta destrutiva, e outros diagnósticos. Paralelamente ao exame médico, busca-se entender as queixas da família e as queixas da escola. Algumas crianças já têm atendimento psicológico, outras necessitarão desse atendimento.Precisamos tipificar a dinâmica familiar da criança: a qualidade das relações parentais e filiais, o exercício da autoridade, a divisão de tarefas domésticas, a circulação do conhecimento, o lugar de cada um na família, assim como é imprescindível conhecer o seu contexto educacional: o colégio e a metodologia adotada por ele, as exigências acadêmicas, o tipo de atividades propostas pelos professores, como trabalham os conteúdos, o tempo destinado a cada aula, como lidam com a indisciplina e o tipo de avaliação de desempenho escolar.Como o TDAH é considerado um distúrbio biopsicossocial que atinge de 3% a 5% as crianças em idade escolar, e preferencialmente meninos, o seu conhecimento e a existência de um plano estratégico construído para cada criança é diferencial determinante no tratamento. Muitas famílias acreditam que, com a maturidade, o déficit desapareça e optam por aguardar “que essa fase passe”. No entanto, o mais comum é persistir a dúvida, apesar do diagnóstico quanto à forma mais eficaz de trabalhar com a criança, ou até mesmo, duvidar da veracidade das informações e dos sintomas listados, “Se estivesse interessado, lembraria....” ou ainda, “Isso para mim é pura irresponsabilidade...”O diagnóstico é clínico e não existem exames laboratoriais para detectar o déficit, portanto, é importantíssimo um conjunto de observadores atentos e criteriosos voltados ao objetivo de avaliar cada criança em suas especificidades.É ponto de concordância que avaliar é necessário para que possamos entender e atender com competência a criança com TDAH, no entanto, não é raro a escola ou a família receber o diagnóstico e não saber o que fazer com ele. Não basta termos o diagnóstico em mãos, é necessário avaliarmos a situação sob o ponto de vista biológico, social e acadêmico. É importante destacar que a TDAH tende a perdurar ao longo da vida, ou seja, ela pode ser controlada, mas os adolescentes e adultos também sofrem as suas manifestações, principalmente se não forem tratadas.No diagnóstico clínico, o neuropediatra dará as informações da situação orgânica da criança, mas geralmente a queixa aparece por uma necessidade escolar ou de relacionamento.Nessa perspectiva, a avaliação visa reorganizar a vida escolar e doméstica da criança e do adolescente e, somente neste foco ela deve ser encaminhada. Vale dizer que fica vazio o pedido de avaliação apenas para justificar um processo que está descomprometido com o aluno e com sua aprendizagem. “De fato, se pensarmos em termos bem objetivos, a avaliação nada mais é do que localizar necessidades e se comprometer com sua superação” (VASCONCELOS, 2002, p 83 ).Devemos ter muito cuidado ao avaliarmos uma criança, pois a hiperatividade está “em moda”. Todas as crianças agitadas são chamadas de hiperativas, o que, na grande maioria das vezes, não é verdade. A falta de limites e da presença de pais e professores educadores e disciplinadores pode vir a confundir e a rotular, inadequadamente, crianças e adolescentes que, de fato, não precisam de medicamentos, mas da presença de adultos comprometidos com sua formação e desenvolvimento.O insucesso escolarAs crianças com TDAH, em sua maioria, até sabem o que deveriam fazer, mas devido à inabilidade de controlarem-se, não agem como sabem que deveriam – agem antes de pensar! Vale dizer que elas sabem que deveriam prestar atenção na aula, mas não prestam, levantam-se apesar de saberem que não deveriam levantar.O TDAH não afeta a inteligência da criança, mas a sua aprendizagem. Na maioria dos casos, as crianças e adolescentes tem uma boa ou até meso excelente condição de aprendizagem, fato que se dissocia das produções escolares que chegam a ser medíocres, em muitas situações.Na escola, por exemplo, se é dado um exercício com uma seqüência de operações, muito possivelmente ela consiga fazer as duas primeiras e depois não veja as próximas, ou esqueça algum sinal. Na leitura de um enunciado, ao chegar ao final não lembra do que leu e afirma não ter entendido, ou ainda, esquece o que leu. Se for impulsiva, responde algo que lhe vem na mente naquele momento. Ao ler um livro, depois de ter lido umas dez páginas não sabe do que está tratando o livro. Em um teste escrito, poderá responder às questões da primeira página e entregar sem perceber que o teste continuava no verso da folha. Basta um cachorro latir lá fora para essa a criança ou adolescente perder a sua concentração. É o tipo de criança que, quando se dá conta, já fez o que prometeu não fazer, já perdeu a explicação que precisava tanto, já brigou, enfim...Em casa necessitam de ajuda para fazer as lições, têm suas coisas em desordem, não sabem o que é para fazer ou estudar, esquecem a agenda na escola, levantam-se para pegar um copo de água e não voltam para suas tarefas...Nesse cenário, o insucesso escolar fica vinculado à compreensão que se tem do papel da escola. Se entendermos que o papel da escola é construir conhecimento com “todos” os alunos, certamente os profissionais da escola procurarão formas de promover aprendizagens. A rigidez da escola pode gerar, além do fracasso escolar e do sentimento de incapacidade, uma situação emocional desfavorável à aprendizagem, gerando baixa auto-estima e desestimulando e dificultando, ainda mais, a aprendizagem da criança ou do adolescente. Não é raro um aprendiz apresentar-se dizendo: “Sou burro para os estudos.”Igualmente importante e, talvez até mais determinante, é a rigidez da família ao não aceitar seu filho como ele é e entender que cada um de nós tem suas dificuldades e pontos a serem superados. Respeitar e apoiar o aprendiz em seus propósitos de desenvolver-se é fundamental no caso das crianças hiperativas.Como intervir?Não basta termos um diagnóstico adequado e nem a escola propor-se a adequar estratégias metodológicas para que a criança ou o adolescente consigam aprender e se instrumentalizar academicamente.É importante reunir, para conversarem, os profissionais que atendem a criança, a família e os professores e coordenadores pedagógicos da escola que freqüenta, para que seja traçado, para cada caso, uma linha de ação em termos de responsabilidades da escola, da família e dos profissionais que lidam com a criança. O que deve permear essa reunião é a coerência entre as diferentes propostas e possibilidades concretas de se realizar o que se propõe.A escola assume o papel pedagógico do processo, no entanto, respaldada pelos profissionais que atendem a criança e validado pelos pais. Os pais montam estratégias domésticas, orientados pelos profissionais e validados pelos professores da escola. E os profissionais traçam objetivos que atendam às demandas dos pais e dos professores. Todos devem se reunir sistematicamente para avaliar a evolução e reprogramar estratégias.Para cada criança ou adolescente deve-se estabelecer uma estratégia diferente que esteja em consonância com os objetivos e queixas dos pais e professores. Para cada escola um tipo de atendimento e de trocas. Com isso queremos dizer que não existe receita e nem uma proposta de “comece por aqui”, mas uma forma de entender e atender a cada uma das crianças, individualmente.Entendemos como o mais importante, a disposição dos pais em modificar comportamentos e hábitos, ou seja, sair da queixa, entendendo que todos devem mudar juntos para continuarem sendo família. Também é primordial a escola abrir-se para esse “multidiálogo” até conseguir acertar uma forma de atingir a criança e motivá-la a trabalhar. Certamente que não se acerta de primeira, que é preciso persistir, conversar, tentar novamente, reavaliar e continuar estudando.Entendemos que o grande objetivo da escola e da educação é construir sujeitos aprendizes, autores de sua vida e resilientes para promoverem aprendizagens e enfrentarem suas dificuldades.Temos de nos reunir, em posturas de parceria de modo que todos se voltem ao ajustamento de procedimentos que viabilizem o desempenho acadêmico e social das crianças que apresentem dificuldades com sua aprendizagem. Entendo que uma família ou uma escola que tem uma criança ou adolescente com TDAH não tem um problema, mas uma situação para administrar. Porém, se não for encarada com seriedade, competência e sensibilidade, aí sim, pode vir a tornar-se um transtorno em suas vidas.Urge passar à ação, assumindo a idéia de que o desenvolvimento de capacidades de desenvolvimento no sentido de tornar as pessoas e as organizações mais resilientes é uma prioridade na formação do novo cidadão. Mais é um imperativo social e comunitário não só a nível local, mas também regional e global, planetário. O mundo está a ficar demasiado rígido e intolerante, autoritário, ditaturial, para defender os interesses egoístas de um número cada vez mais reduzidos de privilegiados face à grande maioria dos que vivem com dificuldades, desprotegidos, e, até, em extrema pobreza, miséria e outras formas de exclusão.(Tavares, 2001, p.63)É nesse quadro que proponho a avaliação psicopedagógica e o planejamento de uma intervenção multidisciplinar, pautada no compromisso de promover desenvolvimento, auto-estima e condições de maturidade emocional para resolver problemas e amadurecer o ser cognoscente.Referências


Bibliografia

FERNÁNDEZ, A O saber em jogo A psicopedagogia propiciando autorias de pensamento. Porto Alegre, Artmed, 2001.

Manual Diagnóstico de Transtornos Mentais – DSM-IV-TR, da Associação Psiquiátrica Americana.

TAVARES, J. Resiliência e Educação. São Paulo: Cortez, 2001

VASCONCELLOS, C. Avaliação da aprendizagem: construindo uma práxis. In: Temas em educação - I Livro da Jornadas de 2002.

Futuro Eventos.[1] Fonte: site www.hiperatividade.com.br

10 dicas para você ser aprovado em provas e concursos públicos. Desenvolva a sua memória de longo prazo a favor do estudo.




10 dicas para você ser aprovado em provas e concursos públicos. Desenvolva a sua memória de longo prazo a favor do estudo.

1- Foque ativamente a atenção na matéria que você está estudando.
2- Estabeleça sessões regulares de estudo. Não se “empaturre” de conteúdos.
3- Estruture e organize a informação que você está estudando.
4- Use fórmulas mnemônicas.
5- Ensaie e treine a informação que você está estudando.
6- Relacione novas informações a temas que você já sabe.
7- Visualize conceitos para melhorar sua memória.
8- Ensine novos conceitos a outras pessoas.
9- Preste atenção redobrada a conteúdos mais difíceis.
10- Varie a sua rotina de estudo.

1- Focar ativamente a atenção no conteúdo que você que aprender é a dica. Assim, todas as informações importantes passam da sua memória de curto prazo para a de longo prazo. Procure locais sem agentes distratores.
2- As pesquisas mostram que o estudo através de algumas sessões te proporciona o tempo necessário que você vai precisar para processar adequadamente a informação. Alunos que estudam com regularidade a matéria, se lembram muito melhor dela o que os que estudam tudo em verdadeiras “maratonas”, em um só dia.
3- Os pesquisadores mostram que a informação é organizada em departamentos (clusters). Tente agrupar conceitos e termos similares e conteúdos que tenham relação entre si. Listar seus títulos também ajuda.
4- Irão te ajudar a lembrar informações ou segmentos específicos. Você pode associar um termo a ser lembrado com um item que você tenha familiaridade. Rima, música, anedota, imagem e novidades são algumas estratégias mnemônicas usadas com sucesso.
5- Para fixar a memória, você precisa decodificar o conteúdo do estudo dentro da sua memória de longo prazo. Os ensaios elaborados são a melhor maneira de você fazer isso. Assim: você lê a definição do termo-chave, estuda a definição do termo e depois leia uma descrição mais detalhada do significado do termo-chave. Após repetir esse processo algumas vezes, a sua memória vai ficar “tinindo”...
6- Quando você estiver estudando conteúdos não familiares, tire um tempo para pensar sobre como essa informação está relacionada a assuntos que você já conhece e sabe. Estabelecendo relações entre novas idéias e memórias previamente existentes, você pode aumentar dramaticamente a probabilidade de se lembrar de conteúdos recentemente estocados.
7- Preste atenção a fotos, esquemas, tabelas e gráficos no texto que você está estudando. Você pode criar as suas próprias visualizações mentais. Desenhe tabelas ou figuras nas margens de suas anotações e use canetas marca-textos de cores diferentes. Cada cor para um determinado conteúdo.
8- Ler textos em voz alta aumenta significativamente a memória para aquele conteúdo. Psicólogos e Educadores afirmam que ter alunos realmente gera o ensinamento de novos conceitos a outras pessoas e aumenta o entendimento e a memória. Pratique com amigos ou colegas de estudo.
9- Você já reparou como as vezes é bem mais fácil lembrar de informações que estão no início ou no final de um capítulo? Pesquisadores descobriram que a posição da informação pode fazer a diferença na memorização. É o que se chama de Efeito de posição em série. Enquanto se lembrar de conteúdos que estão no meio de um texto pode ser mais difícil, você pode superar esse problema através de ensaiar ou reestruturar essa parte mais difícil, fazendo com que ela se torne mais fácil de ser lembrada. Sempre que você se deparar com partes difíceis, devote um tempo extra para memorizar esse conteúdo.
10- Outra grande estratégia para alavancar a sua memória é mudar a sua rotina de estudo ocasionalmente. Mude o lugar de estudo, o período do dia, tente usar alguns minutos de cada manhã para fazer uma revisão da matéria que você estudou no dia anterior. Acrescentando uma novidade à sua sessão de estudo, você incrementa a eficácia de seu empenho de modo significativo, bem como a sua memória de longo prazo.
Torne-se um vencedor de seus próprios propósitos!
(de Learn how to learn).

Acesso de raiva. É possível evitar?

Acesso de raiva. É possível evitar?
O executivo procura uma pasta contendo documentos importantes, mas não a encontra. Consulta uma funcionária e ela explica que a secretária, recém-demitida, guardara em algum lugar, mas que ninguém sabe. Os documentos são importantes, porque significam a memória viva da firma, são, por isso mesmo, importantíssimos.Sem perceber a importância, a funcionária insiste em minimizar a situação, então o empresário acaba explodindo, sem conseguir conter a indignação, transformada, imediatamente em raiva.Afinal, quem nunca se sentiu no limite, a ponto de explodir por qualquer motivo? Nessa hora, o coração dispara.Mas o ideal, como em quase tudo na vida, é o equilíbrio. Segurando as rédeas de nossas emoções, nos tornamos mais intuitivos, sagazes. Passando a usar a sensibilidade a serviço do sucesso, fazendo dela uma arma poderosa. Em contrapartida, o excesso de tensão, típico dos temperamentos instáveis, bloqueia a capacidade de compreender, e dificulta a resolução dos problemas mais banais.Existe o contraponto ao temperamento do empresário que explode porque uma pasta com documentos importantes simplesmente sumiu. É o da funcionária, que não se contém e chora, enxugando as lágrimas com um único lenço encontrado no fundo da bolsa. Encosta a cabeça nas costas da poltrona da frente para não afogar as lágrimas nos ombros do colega ao lado. Tudo isso além da reprovação dos outros colegas, irritados com os suspiros e soluços.Tudo bem. Você seria insensível se não derramasse uma lágrima sequer assistindo ao filme. Mas chorar diante de um quadro, ao ouvir determinada música, com um anúncio de TV ou ao cruzar com aquele mendigo que corta seu caminho todas as manhãs, fazendo-a sentir-se culpada pelo resto do dia, mesmo que jamais dê uma esmola. Isso pode ser excessivo.“Coisa que antes eram consideradas de fontes de alegria, como casa, marido, filhos, amigos e trabalho, passam a ter um peso insuperável, lamenta a empresária Júnia, 36 anos, casada e que sofre de instabilidade afetiva (designação equivalente para a hipersensibilidade) há três anos. Ela conta que não consegue assistir a uma cena “mais forte” na televisão - e não está se referindo à guerra no Iraque - sem desabar. Uma situação “normal”para a maioria das pessoas pode representar um rio de lágrimas para Júlia: “Pareço uma criança, me sinto ridícula”.Para a psiquiatra e psicanalista Evelyn Vinocur, em linguagem científica, o mal de Júlia tem uma causa: labilidade afetiva. Ou seja, instabilidade afetiva, que se caracteriza por rápidas mudanças emocionais em questão de minutos, ou até segundos. Doença/ frescura? A fronteira entre os dois lados é sutil. Cada caso é singular. Mas sempre que houver prejuízo na qualidade de vida é preciso agir rápido.Uma das alternativas para se sentir melhor é surfar sobre as emoções como se surfa sobre as ondas. Relaxe, conte até 10, tente tomar consciência da confusão (angústia ou alegria) que a domina, e questione a gravidade da situação. Respire calmo e profundamente. Diga para si mesmo que você e quem detém as rédeas das próprias emoções, e não o contrário.Aquele que deveria ser o melhor aniversário de Larissa foi o mais lamentável. Na festa de seus 30 anos, ela causou um grande mal-estar. Mirian, sua melhor amiga, convidou, sem avisar, 20 antigos colegas de colégio, para que cantassem “Feliz Aniversário”. Os pobres coitados se transformaram em uma turma a ser evitada dali para a frente. Ficaram constrangidos com sua fuga intempestiva para o quarto. A surpresa desmoronou-a.Neste tipo de situação, as pessoas muito sensíveis são tomadas por uma “diarréia emocional”. A barragem que retinha as emoções é rompida e todo cuidado é pouco para evitar uma inundação.Marianna, de 18 anos, nunca suportou o novo. Era tomada por um sentimento de apreensão, taquicardia e enrubescimento sempre que era abordada por um rapaz nas festas. Isso também acontecia quando era submetida a uma avaliação, qualquer que fosse. “Tinha uma sensação de congelamento. Parecia que as pernas estavam congeladas, bem como a mente. Ficava boba, sem reação”, conta.Ela não conseguiu concluir o exame do vestibular. Passou mal antes de responder a todas as questões e acabou reprovada. A psiquiatra Evelyn Vinocur acredita que Marianna sofre de ansiedade social. Um transtorno que gera a sensação difusa e desagradável de apreensão que precede qualquer compromisso social novo ou desconhecido. “A pessoa tem a consciência dos sintomas físicos e percepção de estar nervosa diante de uma situação social. Tal sentimento é paralisante e fonte de intenso sofrimento”.Casada, feliz, dois filhos, toda vez que passa o domingo na casa dos pais, Andréa reage a qualquer observação deles aos gritos. A mãe arrisca uma opinião sobre a aparência das crianças, do tipo “elas não estão um pouco magras?” A resposta é uma torrente de desaforos. Ou seja diante de qualquer comentário irritante, seu grau de tolerância é zero, o que faz uma adolescente de 14 anos parecer mais adulta e equilibrada do que ela. É normal ficar irritada com os pais. A relação com eles parece um jogo de guerra: comenta algo, eles replicam, contra-atacam As emoções ficam ainda mais fortes se estiverem condicionadas a lembranças passadas. Em resumo, aos cinco ou 35 anos, as pessoas continuam a sonhar com os pais ideais e ficam irritadas quando não correspondem às suas expectativas. Mas é preciso crescer, perdoar...Mas o primeiro passo para resolver o problema é afastar a idealização. Não esperar nada. Em vez de chegar a casa deles com a esperança que tenham mudado, afirmar a si mesma que tudo vai começar, ainda e sempre. Não adianta tentar. Tente, sim, ter uma visão estratégica, que consiste em antecipar reações. Isto é fácil porque são sempre as mesmas. Use uma tática diferente; se eles dizem alguma coisa, faça um comentário gentil, capaz de desarmá-lo. Desarme-se também.Não confunda as situações descritas com as que ocorrem somente em períodos de ansiedade, depressão, inquietude, falta de sono e disfunção sexual, que fazem parte da vida de todo mundo. Quem, por exemplo, não passou por uma enorme dor-de-cotovelo ou teve vontade de sumir do mapa depois de uma discussão séria?Fatores como insatisfação no trabalho, brigas familiares, separação, dificuldades financeiras, alterações hormonais interferem no bem-estar.
Vários são os fatores em que a pessoa busca seus próprios recursos internos para manter o equilíbrio. Se você é uma delas, ótimo. Esse é o caminho. Mas se não consegue melhorar sozinho, não hesite em procurar um especialista. O diagnóstico preciso já representa um ganho de 50%, no tratamento, que pode ser através de psicoterapia, acupuntura, florais - para quem prefere alternativos.Só não pode é sofrer à toa. Ninguém merece, afinal.