domingo, 8 de fevereiro de 2009

FOBIA SOCIAL E TRANSTORNO EVITATIVO DE PERSONALIDADE


COMO ELES COSTUMAM PENSAR?
“ A maioria das pessoas por vezes utilizam a evitação para aliviar a ansiedade ou prevenir o encontro com situações difíceis.”“ Nos pacientes com TEP, a evitação social é evidente, sendo menos óbvia a evitação emocional e cognitiva, quando então eles evitam pensar sobre coisas que os façam sentir-se desconfortáveis . ”“ Eles sentem uma intolerável tensão ao relacionarem-se com outras pessoas e a solidão torna-se um meio primário para evitá-la (Horney, 1945) . ”“ Sem motivo, eles sentem que os outros o ignoram, o menosprezam, não o levam à sério, não fazendo questão da sua companhia. Seu autodesprezo o torna profundamente inseguro nas relações com as pessoas .”HistóricoO termo “ personalidade evitativa ” foi usado pela primeira vez por Millon em 1969, que o descreveu como consistindo de um padrão de “desapego ativo”, representando “um temor e desconfiança dos outros”.DefiniçãoO TEP caracteriza-se por uma evitação comportamental, emocional e cognitiva generalizada e que é alimentada por pensamentos de autodepreciação, expectativas de rejeição interpessoal e uma forte crença de que emoções e pensamentos desagradáveis são intoleráveis. Tais pacientes apresentam várias crenças e/ou esquemas disfuncionais de longa duração e que interferem em seu funcionamento social de modo global.Diagnóstico DiferencialTranstorno Esquizóide de Personalidade, Fobia Social e Agorafobia. No primeiro, os pacientes se satisfazem com pouco ou nenhum envolvimento social e são indiferentes às críticas dos outros. Na Fobia, apesar de também temerem a humilhação e terem baixa confiança em suas habilidades sociais, eles não evitam relacionamentos íntimos, apenas determinadas circunstâncias sociais como falar ou comer em público, por exemplo. A evitação agorafóbica está ligada ao temor de estar em lugares abertos, longe de casa ou onde não recebam ajuda, caso algo ruim ocorra. Os pacientes com TEP frequentemente procuram tratamento médico por transtornos do Eixo I (transtornos psiquiátricos), como Transtorno de Ansiedade Generalizada, Fobia, Depressão, abuso de substâncias psicoativas, Transtornos do Sono etc. Transtornos Somatoformes e Dissociativos podem acompanhar o Transtorno Evitativo de Personalidade.CARACTERÍSTICAS§ As pessoas com TEP expressam desejo de afeição, aceitação e amizade, muito embora tenham poucos amigos e compartilhem de pouca intimidade com qualquer pessoa. Inclusive com o terapeuta, eles têm dificuldade para falar de tais assuntos. Apesar do desejo de relacionarem-se com pessoas, eles aprenderam ser melhor negar tais sentimentos e manterem um distanciamento interpessoal.§ Muitas vezes, a solidão e tristeza são mantidas pelo medo da rejeição, que inibe o início ou a manutenção de amizades.§ Tais pacientes se fecham e logo mudam de assunto caso o terapeuta insista em falar sobre assuntos que provoquem sentimentos desconfortáveis, geralmente oriundos de suas crenças falsas.§ Alguns pacientes não toleram ficar disfóricos, ou seja, de mau humor ou aborrecidos ou irritados, usando das mais variadas atividades (por vezes até adições) para melhorarem o humor.§ Mantém uma vigilância constante para que seus anseios por atenção não redundem em repetição da dor e angústia que experimentaram de encontros anteriores, só conseguindo protegerem-se pelo retraimento ativo.§ Estes pacientes têm uma necessidade extraordinária de estruturação e controle externos dos objetos, a ponto deles(objetos) tornarem-se perigosos. A saída é a evitação destes objetos.§ Tentativas de engajar estes pacientes em uma interação são encaradas como intrusão e trazem consigo uma ameaça de desorganização.§ALGUMAS CRENÇAS FALSAS§ “ Eu sou socialmente incapaz e indesejável”§ “ As outras pessoas são superiores a mim e me rejeitarão ou pensarão em mim de modo crítico, caso me conhecerem melhor “§ “ Eu não consigo lidar com emoções fortes”§ “ Ele vai achar que eu sou um fraco”§ “ Se eu ceder a estes sentimentos negativos, eles prosseguirão para sempre; se eu os ignorar, talvez as coisas melhorem um dia”A EVITAÇÃO SOCIALOS ESQUEMAS DISFUNCIONAISEles têm várias crenças ou esquemas disfuncionais que interferem no seu funcionamento social. Fazem suposições falsas para explicar pensamentos negativos. Quando crianças, podem ter tido uma pessoa significativa que era altamente crítica e rejeitadora para com eles, fazendo com que desenvolvessem certos esquemas patológicos, como:- “ Eu sou inadequado”- “ Eu sou defeituoso”- “ EU sou indesejável”- “ Eu sou diferente”- “ Eu não me enquadro”- “ As pessoas não se importam comigo”- “ As pessoas me rejeitarão”- “ Eu devo ser uma pessoa má para minha mãe/pai me tratar assim”- “ Eu devo ser diferente, por isso que não tenho amigos”- “Se meus pais não gostam de mim, quem gostará ?”- “Me acham burro, bonzinho, tolinho...”MEDO DA REJEIÇÃOPosteriormente, quando adultos, tais pacientes cometem o erro de supor que os outros reagirão com eles da mesma forma negativa que a pessoa significativa e crítica da infância. Continuamente, eles temem que os outros descubram que eles são deficientes e o rejeitem. Temem sentir-se disfóricos (irritados, agressivos) e acreditam não serem capazes de suportar tal sentimento. Por vezes, limitam severamente suas vidas para evitar a dor que esperam sentir quando alguém – a seu juízo – inevitavelmente os rejeitar.Eles interpretam a rejeição de uma forma muito pessoal e tanto mais dolorosa quanto mais eles virem as reações negativas como sendo justificadas. Por exemplo:- “ Ele me rejeitou porque sou inadequado”- “ Se ele pensa que não sou inteligente, então deve ser verdade”AUTOCRÍTICAEstes pacientes geralmente apresentam uma série de pensamentos autocríticos automáticos, tanto em situações sociais quanto à encontros futuros, que originam mal-estar e que nunca são questionados pelos pacientes por que eles julgam-se certos. Tais cognições negativas são típicas e originam-se de esquemas negativos, como:- “ Eu sou um chato”- “ Eu sou tolo”- “ Eu sou um fracasso”- “ Eu sou ridículo”- “ Eu não me enquadro”- “ Sou burro”Antes ou durante um encontro social, estes pacientes evitativos apresentam um fluxo de pensamentos automáticos negativos que prevê o que irá ocorrer :- “ Eu não tenho nada a dizer”- “ Eu vou fazer papel de idiota”- “ Ele não vai gostar de mim”- “ Ele vai me criticar”- “ Não vou ter de nada interessante pra falar”- “ não vou conseguir ser simpático”SUPOSIÇÕES SUBJACENTES SOBRE OS RELACIONAMENTOSOs esquemas dos pacientes evitativos também dão origem a suposições disfuncionais sobre os relacionamentos. Eles poderão acreditar que escondendo o que realmente acreditam ser, poderão enganar os outros daquilo que realmente acham que são:- “ Eu preciso apresentar uma fachada para que eles gostem de mim”- “ Se os outros me conhecessem realmente, não gostariam de mim”- “ É perigoso chegarem muito perto e verem quem eu realmente sou”- “ sou uma mentira, um fake”Quando fazem amizade, eles fazem suposições acerca daquilo que devem fazer para preservar a amizade. Poderão mudar de opinião para evitar o confronto, buscando sempre satisfazer o desejo do outro:- “ Eu preciso agradá-lo todo o tempo”- “ Ele só gostará de mim se eu fizer tudo o que ele quiser”- “ Eu não posso dizer não”- “ Se eu o desagradar, ele mudará toda a visão que tem de mim e vai me rejeitar”AVALIAÇÃO ERRÔNEA DAS REAÇÕES ALHEIASOs pacientes TEP têm dificuldade em avaliar as reações alheias. Podem interpretar erroneamente uma reação neutra ou positiva como sendo uma reação negativa. Podem buscar reações positivas de pessoas cujas opiniões são irrelevantes em suas vidas, como balconistas ou motoristas de ônibus. É vital que ninguém pense mal deles, devido à crença de que “se alguém me julgar negativamente, a crítica deve ser verdadeira” . É perigoso estarem em posição de serem avaliados porque as reações negativas ou até neutras de outras pessoas confirmam a crença de que são indesejáveis ou defeituosos. Eles não dispõem de critérios internos para julgarem-se a si mesmos, baseando-se unicamente em sua percepção do juízo dos outros.DESCONSIDERAÇÃO DE DADOS POSITIVOSMesmo diante de evidências indiscutíveis aos olhos dos outros de que são aceitos e estimados, os pacientes evitativos as desconsideram. Acreditam que enganaram a pessoa, que o julgamento dela é falho ou que ela não dispõe de informações adequadas para vê-los claramente:- “ Ele pensa que eu sou inteligente, mas eu o enganei”- “ Ele vai acabar descobrindo que eu de fato não sou muito legal”EVITAÇÃO COGNITIVA, COMPORTAMENTAL E EMOCIONALEles evitam pensar sobre certos assuntos que geram mal-estar e agem segundo maneiras que lhes permitam continuar com esta evitação, emergindo, assim, um padrão típico. Mesmo quando tomam consciência dos sentimentos disfóricos, podem ter ou não noção dos sentimentos que acompanham a emoção. Como a sua tolerância à disforia é muito baixa, eles fazem algo para distraírem-se e sentirem-se melhor.Assim, eles poderão interromper ou deixar de iniciar uma tarefa que planejaram realizar. Poderão pegar algo para ler, ligar a TV, ficar no computador, comer ou acender um cigarro, andar pela casa, etc. Ou seja, eles procuram uma distração para tirar os pensamentos desagradáveis da cabeça. Tal padrão de evitação cognitiva e comportamental, sendo reforçado por uma diminuição do mal-estar, por fim torna-se arraigado e automático.Pode acontecer que o paciente tenha alguma consciência de sua evitação social. Invariavelmente, eles se criticam em temos globais e estáveis:- “ Eu sou preguiçoso”- “ Eu sou renitente”Tais pronunciamentos reforçam as crenças sobre si mesmos quanto a serem inadequados ou defeituosos e os levam à desesperança. Eles não vêem que a evitação é a sua forma de enfrentar emoções incômodas. Em geral, eles não têm consciência de sua evitação cognitiva e comportamental, até que tal padrão lhes seja esclarecido.ATITUDES QUANTO A EXPERIMENTAR DISFORIAOs pacientes evitativos podem apresentar atitudes disfuncionais quanto a experimentar emoções disfóricas ou seja, que gerem desconforto interno:- “ É insuportável sentir-se mal”- “ Eu não deveria ter ficado ansioso”- “ Eu deveria sentir-me sempre bem”- “ As outras pessoas raramente sentem medo, embaraço ou mal-estar”Estes pacientes acreditam que se permitissem a si mesmos sentirem-se disfóricos, seriam engolfados pelo sentimento incômodo e jamais seriam capazes de se recuperar. Temem a emoção avassaladora que esperam sentir no caso de perderem o controle e temem ser subjugados pela disforia e permanecerem sempre nela :- “ Se eu deixar meus pensamentos extravasarem, serei esmagado”- “ Se eu ficar ansioso, vou ao fundo do poço”- “ Se eu me abater, perderei o controle e não serei mais capaz de funcionar”DESCULPAS E RACIONALIZAÇÕESOs pacientes evitativos têm um forte desejo de atingir seu objetivo a longo prazo, de estabelecer relacionamentos mais íntimos. Sentem-se vazios e solitários e desejam modificar suas vidas, ter amizades mais íntimas, emprego melhor, etc.Eles geralmente tomam consciência daquilo que precisam fazer para realizar seus desejos mas o custo a curto prazo de experimentar emoções negativas parece-lhes excessivamente elevado. Eles elaboram milhões de desculpas para não fazerem o necessário para atingir seus objetivos:- “ Eu não vou gostar de fazer aquilo”- “ Eu vou me sentir pior se fizer aquilo”- “ Eu vou fazer isso mais tarde”- “ Não estou com vontade de fazer isso agora”Quando vem o “mais tarde” ou o “ depois”, eles invariavelmente usam as mesmas desculpas, continuando com a evitação comportamental. Além disso, eles podem não acreditar que são realmente capazes de atingir seus objetivos. Eles fazem suposições:- “ Não há nada que eu possa fazer para mudar a minha situação”- “ Por que tentar?”- “ Eu não vou conseguir, de qualquer jeito”- “ É melhor perder por desistência do que tentar e inevitavelmente perder”PENSAMENTO DESEJOSOOs pacientes evitativos podem envolver-se em um pensamento desejoso relativo ao seu futuro. Podem acreditar que, algum dia, o relacionamento ou o emprego perfeito surgirá do nada, sem esforço de sua parte. Frequentemente, eles não acreditam que serão capazes de atingir seus objetivos mediante seus próprios esforços:- “ Um dia eu vou acordar e tudo estará bem”- “ Eu não consigo melhorar de vida sozinho”- “ As coisas podem melhorar mas não vai ser por algo que eu faça”SUMÁRIOOs pacientes evitativos mantém profundas crenças negativas a respeito de si mesmos, provavelmente originárias da infância, quando as interações com uma pessoa significativa, rejeitadora e crítica os levou a ver a si mesmos como inadequados e inúteis. Socialmente, eles evitam situações onde as outras pessoas poderiam aproximar-se e descobrir seu “verdadeiro eu”. Comportamentalmente, evitam tarefas que engendrariam pensamentos que os fizessem sentir desconforto. Cognitivamente, evitam pensar sobre assuntos que produzam disforia. Sua tolerância ao desconforto é muito baixa e eles valem-se de “doses” de distração sempre que começam a sentir-se ansiosos, tristes ou entediados. Eles são infelizes com seu atual estado mas sentem-se incapazes de mudar mediante seus próprios esforços.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

O MEDO - é bom saber lidar com ele, senão pode levar à ansiedade ou depressão


O medo é um sentimento de estado de alerta demonstrado pelo receio de se fazer alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisica quanto psicologicamente. O medo é o estado afetivo suscitado pela consciência do perigo ou que, ao contrário, suscita essa consciência. Medo é uma informação de que há risco, ameaça ou perigo direto para o próprio ser ou para interesses correlatos.
Mas em princípio, lutar pode ser uma reação positiva. Isso não quer dizer que fugir seja uma reação negativa. Tudo depende da situação. A cada situação nova e inesperada, que represente um perigo, surge o medo. E diante de uma situação de perigo, só nos restam duas alternativas: lutar ou fugir. É preciso reconhecer os próprios limites, por exemplo, sabemos que não reagir a um assalto é o melhor, pois reagir pode provocar conseqüências piores do que nada fazer.
O medo, até certo ponto, portanto, nos é útil, pois é justamente devido a ele que nós nos cuidamos, evitamos lugares perigosos, enfim, prolongamos a nossa existência. Assim, sabemos que o medo é uma reação protetora e saudável do ser humano. O medo "normal" vem de estímulos reais de ameaça à vida. O medo deve estar dentro do nosso controle, para que ele não nos paralise nem nos deixe apavorados, o que poderia fazer com que muitos de nós nos colocássemos em situações de maior risco ainda.
Com medo, devemos respirar fundo, devagar, sem perdermos a capacidade de raciocinar. Jamais podemos nos desesperar. Não podemos deixar de pensar racionalmente. Precisamos acreditar na nossa capacidade de julgamento e crítica, para que – mesmo com medo – enfrentemos o nosso dia a dia, sem deixar que o medo torne-se patológico, passando assim a prejudicar a nossa cognição e a nossa qualidade de vida enquanto prejudica enormemente a nossa auto-confiança e auto-estima.
Depreendemos, então, que em princípio, lutar pode ser uma reação positiva. Isso não quer dizer que fugir seja uma reação negativa. Tudo depende da situação. Quando há uma situação de ameaça real a sua vida, o medo não é uma reação patológica, mas sim de proteção e autopreservação. Situações reais de perigo exigem discernimento, mas o medo irracional, sem causa real, deve ser enfrentado.
É preciso lembrar que nosso inconsciente não diferencia fantasia de realidade. Se ficar pensando em todas as vezes que não conseguiu, ou ainda, que não vai dar certo mesmo, que nem adianta começar, baseando-se nas experiências anteriores negativas, sua mente irá reagir de acordo com esse pensamento, pois o medo nasce da associação que nossa mente estabelece com experiências ameaçadoras que ocorreram, sem discernir que não irão ocorrer mais. Sua mente não sabe distinguir o que é passado e presente. Realidade e fantasia. E se esse seu pensamento continua presente, sua mente irá acreditar nisso como real.

Como surge o medo?
Além dos perigos iminentes e reais, nossos temores podem ter aparecido de associações que fazemos ao longo da vida. Por exemplo, uma criança que teve sua casa destruída durante uma tempestade pode sentir-se ameaçada por uma tragédia toda vez que chover intensamente. Querendo ou não, sua mente fará essa relação. Ou ainda, pessoas que passaram por muitas privações quando crianças. Que não tinham o que comer, ou que tinham que "brigar" pela comida com irmãos, podem desenvolver uma tendência a comer exageradamente, como se sentissem, ainda que inconscientemente, medo de passarem fome novamente. Ou para buscarem compensar aquilo que não tiveram.
Isso pode ocorrer. Nossa mente inconsciente é atemporal: não tem passado, futuro. É como se tudo estivesse sendo vivenciado no momento presente. Não há discernimento do que aconteceu, já foi e o que está ocorrendo, misturando assim passado e presente. O medo de que não vai conseguir é muito comum e acaba interferindo diretamente na auto-estima e amor-próprio, além da autoconfiança. Uma pessoa que não age por medo de não conseguir, não acredita em sua capacidade e, assim, está perdendo também a oportunidade de conseguir e de reverter todo esse quadro.
Pode ainda haver o medo de aumentar mais o peso e assim ter problemas de saúde, sobrecarregar os órgãos, medo por motivos concretos e que podem estimular muitos a mudarem seus hábitos em busca de uma melhor qualidade de vida. Se você consegue ao menos pensar que pode enfrentar a situação, já é um progresso. Mas, e quando nada conseguimos fazer a não ser sentir medo? O diferencial mesmo é o que cada um busca e quer para si e sua vida.
Quando alguém diz que não consegue, que vai desistir porque sabe que não irá conseguir, geralmente são pessoas que estão com a auto-estima muito baixa e amando-se muito pouco. Ou não se sentem capazes de cuidar de si mesmas. Querem fórmulas mágicas, resultados imediatos. Querem o impossível, assim fica mais fácil justificarem para si mesmas que irão desistir por medo.
Procure descobrir o que o medo simboliza para você. O que ele representa. Acontece com o medo o mesmo que com outros sentimentos: quanto mais o negamos, mais poderoso ele se torna. Explore seu medo, descubra o que está por trás dele. Se tiver dificuldade em fazer isso, busque ajuda profissional. A pessoa mais prejudicada nesse processo todo é você mesma. Por isso, arregace as mangas e trabalhe contra tudo isso, sem pensar em desistir. Afinal, ou o medo te controla ou você controla ele.

Qual você prefere?


Veja só que citações interessante que existem no mundo sobre o medo:


"Tenho mais medo da mediocridade que da morte".
Bob Fosse
"Evitar a felicidade com medo que ela acabe é o melhor meio de ser infeliz. Coragem é r esistência ao medo, domínio do medo, e não ausência do medo".

Mark Twain
"Só erra quem produz. Mas, só produz quem não tem medo de errar. As massas humanas mais perigosas são aquelas em cujas veias foi injetado o veneno do medo. Do medo da mudança".
Octavio Paz
"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz".
Platão
" Não é que eu tenha medo da morte. Eu apenas não quero estar lá quando isso acontecer".
Woody Allen
"O medo tem alguma utilidade, mas a covardia não. O medo é a maior das doenças, porque paralisa o corpo e a mente. Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas, nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite".
Clarice Lispector
"A vida é maravilhosa se não se tem medo dela".
Charles Chaplin
" ...mas eu desconfio que a única pessoa livre, realmente livre, é a que não tem medo do ridículo".
Luis Fernando Verissimo
"O medo me fascina".
Senna, piloto Fórmula 1, em 1991
"O medo faz parte da vida da gente. Algumas pessoas não sabem como enfrentá-lo, outras - acho que estou entre elas - aprendem a conviver com ele e o encaram não como uma coisa negativa, mas como um sentimento de autopreservação".
Senna, em junho 1991
"(Quando foi perguntado se tinha medo da morte) Da morte, nunca tive medo. O que não quero é ficar aleijado. Disso sim, tenho um medo que me pelo".
Nelson Piquet, piloto de Fórma 1
"Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar".
Shakespeare
"À medida que nos libertamos de nossos medos, nossa presença automaticamente liberta outros".
Harriet Rubin, em A Princesa - Maquiavel para Mulheres
"Você ganha forças, coragem e confiança, a cada experiência em que você enfrenta o medo. Você tem que fazer exatamente aquilo que acha que não consegue.
Eleanor Roosevelt
"Não tenho medo das tempestades porque sei como guiar meu navio".
Luisa May Alcott
"Quando patinamos no gelo fino nossa segurança está na velocidade".
Ralph Waldo Emerson
"No fundo sabemos que o outro lado de todo o medo é a liberdade".
Marilyn Ferguson
"Guarde seus medos para você mesmo, mas partilhe sua inspiração com todos".
Robert Louis Stevenson
"Não tenho medo do amanhã porque já vi o passado e amo o dia de hoje".
William Allen White
"De todas as paixões, o medo é aquela que mais debilita o bom senso".
Jean Retz

TDAH nos dias de hoje


Hoje em dia, mais do que nunca, temos que prestar muita atenção nas mulheres afobadas, destrambelhadas, ansiosas ou depressivas. Elas podem nos parecer desatentas ou à mil por hora. E muitas vezes, só na hora de colhermos uma história detalhada dela, é que vamos definir o que é a agitação da contemporaneidade da inquietude do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade...São tantos os fatores “estressores” nos dias de hoje, que eu poderia ficar aqui descrevendo-os pela madrugada afora...Estamos vivendo atualmente a Moderna Era do Estresse, onde observamos que cada vez mais, estamos abarrotados de obrigações, responsabilidades e agendas lotadas. A competição no mercado de trabalho está cada vez mais acirrada, com necessidade de termos mais de uma especialização na nossa profissão, com os ‘pós’..., os MBAs, mestrados, doutorados, pós-doutorados, etc., numa corrida obsessiva contra o tempo e pela garantia de permanecer no emprego e ou de arrumar um.Hoje, o profissional precisa se superar a cada dia, batendo seu próprio recorde, uma vez que temos um aumento substancial de empregos “sem carteira assinada”, ou chamados “PJs”, como dizemos, que, tal como os autônomos e os free-lancers, muitos deles só conseguirão algum trabalho no ramo da terceirização de serviços, e, é claro, onde a seleção natural é evidente, bem objetiva e pragmática: só os melhores e os “mais feras” conseguirão a melhor vaga e o melhor salário no mercado de trabalho atual.As mulheres, hoje tão liberais, modernas e ‘super-poderosas’ (embora muitas delas estejam ficando hiper-esgotadas), estão tendo que se desdobrar em “DEZ”, caso queiram manter o status e queiram ter a sua própria casa, carro, marido (muitas preferem produção independente), filho(s), empregada (ou faxineira), cachorrinho, dinheiro para viajar ou para cuidar do corpo ou da pele, etc., (a lista aqui pode ser quase interminável...) pois nestes casos as ‘super-poderosas’ precisam começar o dia bem cedo, tipo 5 ou 6 da manhã, para irem à academia (é “chic” e faz bem à saúde), é claro, para depois deixarem o filhote na escola e saírem correndo para o trabalho.No almoço, os ‘fast-food’ mesmo para umas ou o básico ‘salada verde com franguinho grelhado’ para as “mulheres-diets” ou “muheres-zero” (dos recém- lançados refrigerantes zero calorias), como dizemos hoje, sim, tudo às pressas, para poderem chegar ao trabalho na hora certa, sem terem que compensar... algumas mulheres ainda farão suas ‘pós’ depois do trabalho, outras irão para casa terminar os serviços não acabados e verem se os filhos fizeram os deveres, etc.Também não é nenhuma novidade que as relações afetivas homem-mulher estejam cada dia mais ‘apoucadas’, mais frouxas, sei lá, todo mundo (eles e elas) vive reclamando, estão quase sempre descontentes, decepcionados, com sentimento de vazio, de solidão, solidão a um, a dois, a três, sentimentos de impotência, medo do futuro, etc....No que tange aos homens, a vida também não está nada fácil. Ou eles têm a obrigação de manter casa, filho(s), mulher, o que já não é pouco, como muitos deles (e delas também) ainda têm que arcar com o ônus do(s) filho(s) do(s) casamento(s) anterior/es... como dizem eles/elas: - “... assim fica difícil, haja salário que cubra os nossos gastos!”Observamos também que, talvez até por falta de tempo ou pelos tantos problemas compartilhados em casa pelos casais, o que obviamente desgasta qualquer relação conjugal, que homens e mulheres têm se queixado cada vez mais de falta de interesse e de libido por parte da(o) parceira(o), de sentimentos de estarem sobrecarregados(as), sentindo falta de carinho, atenção, reconhecimento, gerando um distanciamento do casal. Fato é que, seja em nome dessa “frustração”, digamos assim, ou por qualquer outro motivo, muitos querem se distrair fora de casa, não raro saindo depois do trabalho para bate-papos com amigos em barezinhos, tudo regado a petiscos e muito chopp, enquanto outros confessam que precisam de relacionamentos extra-conjugais, entre outros, para se confortarem um pouco. Fator também de suma importância para a gênese do estresse é o empobrecimento visível da nossa classe média, que trabalha cada ano mais e vê seu padrão de vida descendo cada vez mais, por mais que eles trabalhem mais e mais, a cada ano... “-... é um buraco sem fundo...”Por fim, porém não menos importante, o fato de estarmos vivendo hoje num país violento, sem lei - tal qual filhos órfãos sem pai nem mãe, num mundo sem chão, sem limites, sem regras, sem coerência, sem justiça - tem gerado na sociedade como um todo um sentimento desconfortável de desamparo, descrença e angústia diante do futuro.E, só para terminar, possivelmente como conseqüência de tudo o que foi dito acima, muitos de nós (sobre)vivemos sob um grau importante de estresse, o que ainda nos obriga a reservar uma fração mensal do nosso salário para os nossos “lexs”(lexotans) da vida, ah sim, porque, convivendo diariamente com tamanho estresse, haja organismo que agüente firme sem titubear ...Solução?Sim, tem. Sempre terá. Não há problemas sem solução! Precisamos afinar a nossa confiança e estima e acreditarmos no nosso potencial criativo diante do novo e das dificuldades e assim, prontamente desengavetarmos o nosso bom humor e as nossas ferramentas internas para boas mudanças, enfrentando as adversidades do dia-a-dia, não procrastinando, ou seja, não deixando para amanhã o que se pode fazer hoje, não tentando ultrapassar os próprios limites, não nos comparar com as outras pessoas, enfim, não podemos perder a capacidade de “ver globalmente” – pois não há nada no mundo que não seja passageiro – nem nada no mundo que não tenha o seu lado bom. É só procurar. E quem procura, acha.Evelyn Vinocur, 07 de fevereiro de 2009.Psiquiatra e Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

XX CONGRESSO DA ABENEPI SOBRE INFANCIA E ADOLESCENCIA


10 a 13 de junho de 2009 - Campinas - SP

Em Junho deste ano a ABENEPI realizará seu XX Congresso Nacional. Por isso deixamos disponível abaixo os links do website da ABENEPI e também do website especial preparado para o Congresso. Caso não escolha nenhum dos links, em alguns segundos você será redicecionado automaticamente para o website do Congresso.Agradecemos sua visita.Participe de nossos eventos.História da Associação, notícias, novos associados, cadastros de profiissionais,links, boletim informativo, endereço das sedes e contatos.Tudo sobre os preparativos para o XX Congresso Nacional da ABENEPI. Ficha de Inscrição. Envio de trabalhos e informações sobre os temários e sobre os palestrantres.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

comentários de leitores do blog - descobri que tenho tdah, um novo mundo


Oi Evelyn,
Eu tenho lido muito o seu blog e as suas dicas. Já falei isso, mas repito: Você é excepcionalmente uma pessoa interessada em ajudar. Isso me deixa esperançoso.Não tenho condições de frequentar os encontros do ABDA no Rio de Janeiro ou São Paulo, mas acompanho pelo site.Depois que descobri o TDAH em minha vida, o que me vinha atormentando a 41 anos, me sinto em outro mundo, em outra realidade. Apesar de estar iniciando ainda o tratamento com o Dr Milton Baggio, que você deve conhecer, pois foi professor de medicina na UFPR por muitos anos e é muito conceituado. Outra pessoa que está me ajudando é a Dra Angela Brand, Psicóloga, que me acompanha nesse trajeto.Já adquiri o livro "No mundo da Lua" e estou procurando "Um dia na vida de um adulto com TDAH" para saber o que fazer. Me associei ao ABDA e frequento também o site "ADHD Central" (http://www.healthcentral.com/adhd/), onde tenho achado muitas coisas interessantes.Quero agradecer a você por estar escrevendo e passando conhecimento para que eu possa caminhar e não desistir.Não era fácil suportar sem conhecer. Conhecendo o problema, não se trorna fácil, mas saberei como contornar e conviver com as deficiências, descobrindo formas de ajustes e como melhorar.Obrigado.Felicidades!Cordialmente, B.
Oi, B.,que bom ouvir opiniões que nem a sua - faz bem, pois o trabalho é árduo mas com muitas gratificações e boas surpresas. ontem eu comecei uma terapia de grupo só para rapazes de 20 a 32 anos, com tdah e que nao se encontram bem sucedidos na vida o quanto gostariam (ou poderiam). No grupo vamos trabalhar constructos importantíssimos como treino de habilidades sociais, técnica de resolucao de problemas, assertividade, automoticação, leitura com foco, resiliencia, entre outros. Ontem, já deu pra ver que essa terapia em grupo voltada especificamente para as dificuldades do portador do tdah certamente dará ótimos frutos. Eu te desejo um tratamento prospero, que vc encontre o seu espaço e que vc alcance toda a sua performance global na vida!!abs, obrigada pelas palavras de elogioo que precisar pode contar comigo

evelyn

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

TRASTORNO DO HUMOR BIPOLAR EM CRIANÇAS - UM DESAFIO


Até alguns anos, não se falava em crianças mentalmente perturbadas. Durante toda a minha Faculdade - UFF, onde me graduei em Pediatria, eu não me lembro de ter ouvido falar nesses temas. Trabalhei no Hospital Ismélia da Silveira, em Caxias, onde a gente via de tudo - de tudo mesmo! Mas eu também não me lembro de ter atendido criança deprimida ou ansiosa ou qualquer coisa que o valha... e tampouco na pós em pediatria que eu fiz na PUC-RJ, ... quinze anos depois, fazendo a minha pós em Psiquiatria na UERJ e trabalhando em vários hospitais e clínicas psiquiátricas, aí sim, eu vi e atendi e acompanho até hoje inúmeros pacientes portadores de Transtorno do humor bipolar e outros transtornos do humor. Mas foi somente no ano passado que eu realmente "mergulhei" no universo - não raro - violento e sombrio, que muitas vezes é, o mundo dos transtornos mentais infantis... foi muito bom pra mim ter feito a pós em psiquiatria infantil na Santa Casa. Da Pediatria à Psiquiatria de adultos e daí à Psiquiatria infanto-juvenil, foi, pra mim, uma conquista de grande valor para a minha experiência profissional. Mas não posso negar que me assustei logo que comecei a atender crianças tão novinhas, apresentando comportamentos desafiadores, disruptivos, agressivos e até mesmo violentos e perigosos. Também não posso deixar de me solidarizar com mães e pais tão sofridos, que chegam à nós, tão exaustos, perdidos e sem chão, jogando suas últimas fichas naquele tratamento, frequentemente após já ter percorrido dezenas de profissionais... A responsabilidade do psiquiatra infantil é IMENSA!!! Temos que estudar muito o desenvolvimenteo da criança normal, senão a gente corre o risco de fazer diagnósicos precipitados, intuitivos ou coisa assim. Precisamos, nós, psiquiatras infantis, mais do que nunca, termos os pés no chão. Se um transtorno mental já é tão pesado para um adulto, que dirá para uma criancinha... Entretanto, transtornos mentais em crianças tão pequenas existem e nós precisamos estar atentos, pois elas podem aparecer diante de nós, e se for este o caso, não dá pra deixar passar uma criança sem que seja feito um diagnóstico correto. Pois quanto mais cedo forem as intervenções corretas, mais chances terão essas crianças de levarem uma vida digna e produtiva, como tudo mundo. A infância é uma época estratégica da vida do ser humano. É quando se dá um grande desenvolvimento físico, psicológico e mental, concomitantemente ao aprendizado básico indispensável a todos os que se seguirão pela vida. É muito importante observarmos o comportamento da criança, suas aquisições intelectivas, ouvir os pais, professores, babás, a própria criança, etc. E quando falamos de tratar uma criança, a regra é a necessidade do psiquiatra infantil ter boas parcerias, pois é muito difícil um profissional sozinho dar conta do tratamento de uma criancinha... Muitos casos têm uma demanda para psicoterapia, avaliações com fono, otorrinos, oftamos, psicopedagogos, neuros, testagens neuropsicológicas, terapia de família, etc. Pois é, fica um tratamento caro e duradouro. Como eu vinha falando, até alguns anos atrás, poucas eram as doenças mentais reconhecíveis na infância. Gradualmente, com o passar dos anos e com o avanço das pesquisas e o incremento de estudos científicos, os diagnósticos de vários transtornos psiquiátricos em crianças e adolescentes tornaram-se possíveis. Aparentemente, os casos se multiplicaram numericamente e se fizeram mais conhecidos pela população em geral. Mas ainda assim, a resistência é muito grande se trata da aceitação de certos transtornos pelos familiares, mesmo quando o transtorno é sabidamente uma condição grave, quando evolui sem um tratamento correto. O TDAH ou Transtorno do Déficit da Atenção e hiperatividade é um exemplo. "Como que eu vou dar um remédio de tarja preta para o meu filho?, ele pode ficar viciado e dependente..., ele é tão novo ainda..." Pois é, a gente que tem filho entende, basta se colocar no lugar do outro. Mas quando a situação não deixa escolha, "pena é pra galinha, e não trata nada!" O jeito é fazermos um vínculo forte e de confiança com a família, dar a essa família todo o suporte e as orientações e informações possíveis e iniciar o tratamento tão logo quanto possível - claro, depois de ter passado por todas as inúmeras etapas necessárias para um diagnóstico com responsabilidade e conhecimento. O caso dos Transtornos de Humor e o Transtorno Bipolar em crianças também são condições dramáticas em muitas das vezes. Requer prudência, conhecimento de medicina, de desenvolvimento normal e patológico, de farmacologia e de um monte de outras coisas. É muito importante o trabalho em equipe e informar a família sobre o transtorno em questão, etc. O TDAH e o Transtorno do Humor Bipolar (THB) têm sido objeto de muitos estudos e pesquisas em vários países, pois ocasionam forte impacto sobre a vida escolar, pessoal, familiar e mais tarde profissional do paciente, especialmente quando não devidamente diagnosticados. Os prejuízos decorrentes da falta de diagnóstico e do acompanhamento médico vão do fracasso escolar à evasão, da baixa auto-estima à depressão, da rejeição do grupo ao isolamento, às drogas, à gravidez precoce, à promiscuidade sexual e marginalização, suicídio, entre outras. Infelizmente, a especulação por parte de alguns profissionais não credenciados para tal avaliação, ou ainda, diagnóstico feito por pessoas leigas, tem trazido mais problemas aos que já sofrem com esse transtorno. Generalizou-se, irresponsavelmente, por exemplo, chamar de TDAH a toda e qualquer manifestação de inquietação, distração ou falta de limite que as crianças e jovens apresentem na escola ou em casa. Como conseqüência, casos em que o transtorno não existe de fato aparecem em toda parte, banalizando um problema sério e de grande repercussão sobre a vida dos pacientes portadores e sua família. Estes falsos diagnósticos são geralmente feitos à base de “achismos” como o preenchimento de questionários ou testes sem qualquer base científica ou mesmo ao sabor das conveniências pessoais de alguns adultos, que pensam dela tirar proveito, seja para justificar uma educação deficiente em limites, normas e atenção à criança ou, ainda, a outros interesses particulares.O Transtorno de Humor Bipolar em crianças é outro exemplo de doença psiquiátrica que exige seriedade no encaminhamento, pois, nessa faixa etária, a sua sintomatologia se apresenta de forma atípica. Ao invés da euforia seguida da depressão dos adultos, nas crianças surge a agressividade gratuita seguida de períodos de depressão. Nestas, o curso do Transtorno é mais crônico do que episódico e sintomas mistos de depressão seguida de “tempestades afetivas”, são comuns. Além disso, a mudança é rápida e pode acontecer várias vezes dentro de um mesmo dia, como por exemplo: alterações bruscas de humor (de muito contente a muito irritado ou agressivo); notável troca dos seus padrões usuais de sono ou apetite; excesso de energia seguida de grande fadiga e falta de concentração. Esses são alguns sintomas que devem ser observados. Os diagnósticos de transtornos da saúde mental são difíceis mesmo para os especialistas, pois é alta a prevalência de comorbidades, ou seja, o aparecimento de dois transtornos simultaneamente, o que exige conhecimento, experiência e observação minuciosa do profissional. É importante salientar ainda que estes transtornos afetam seriamente o desenvolvimento e o crescimento emocional dos pacientes, sendo associados a dificuldades escolares, comportamento de alto risco (como promiscuidade sexual e abuso de substâncias), dificuldades nas relações interpessoais, tentativas de suicídio, problemas legais, múltiplas hospitalizações, etc. Os diagnósticos devem sempre ser realizados por médicos eapecializados em transtornos da infância e adolescência, que ao diagnosticarem e acompanharem a criança, se preocupam em dar também orientações à família e à escola.Minimizar esses transtornos só piora suas conseqüências e prejudica o paciente. Somente especialistas podem afastar e esclarecer as dúvidas e não é exagero ser cuidadoso quando se trata da vida, saúde e futuro das nossas crianças!

domingo, 28 de dezembro de 2008

Nada pior para o portador de TDAH do que a sala de aula

Para uma criança com Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), não existe nada pior do que a escola. A desatenção e a falta de autocontrole se intensificam quando o aluno está em grupo, na sala de aula, dificultando a percepção seletiva de estímulos relevantes, a organização e a execução adequada das tarefas.Dificuldades de ajustamento diante das demandas escolares ocorrem tanto na área da aprendizagem quanto na área social. Segundo o neurologista Paulo Junqueira, a escola exige não só que a criança fique parada, mas também que ela se concentre em tarefas monótonas, repetitivas, invariavelmente não motivadoras.O TDAH é o problema de saúde de maior ocorrência em crianças em idade escolar. No Brasil, existem de uma a duas crianças com o problema em cada classe, sendo que o custo educacional para cada um desses alunos é de três a seis vezes maior do que para os demais.Além disso, o risco de fracasso escolar é de duas a três vezes mais freqüente do que em alunos sem dificuldades escolares, mas com inteligência equivalente. E entre 20% e 30% das crianças com TDAH apresentam dificuldades específicas, que interferem na sua capacidade de aprender.Atraso nos estudosA junção desses dados faz com que um terço ou mais das crianças com TDAH fique para trás na escola, no mínimo uma série durante a sua vida escolar; 35% não completam o ensino médio; as notas são significativamente mais baixas do que as de seus colegas de classe; 40 a 50% dessas crianças recebem algum tipo de serviço educacional (aulas de reforço, de recuperação, de apoio); e 10% podem passar todo o seu dia escolar envolvidos nesses serviços.Isso sem falar dos problemas comportamentais em classe. Mais da metade das crianças com TDAH apresenta comportamento opositivo-desafiador, 15% a 25% delas são suspensas e até expulsas da escola, devido a problemas de conduta.Bagunça em classePor causa de sua dificuldade com regras e com autocontrole, a criança com TDAH sobressai entre as demais e todas as outras crianças são conscientes de quem ela é e de quantos problemas causa. Seu comportamento é imprevisível e não corresponde às intervenções normais do professor.Quem convive com alguma criança ou adolescente com TDAH sabe que a agitação, a impulsividade e a desatenção características do distúrbio transformam o portador num especialista em desobedecer às regras. Entretanto, as dificuldades encontradas pelos educadores em sala de aula não devem ser atribuídas à tradicional "falta de limites" ou à desobediência.Resultados recentes de pesquisas mostram que as dificuldades enfrentadas pelas crianças são conseqüências das limitações impostas pelo TDAH, e não de lapsos educacionais de pais ausentes ou de má-criação.Desafio para os professoresO TDAH tem se mostrado um grande desafio para o sistema educacional. Os professores estão sobrecarregados e geralmente não conseguem lidar com o assunto.Diante de uma turma que não raramente chega a 30 alunos é difícil para o professor conseguir dar atenção individualizada e acompanhar de perto as dificuldades da criança.Ainda mais com a atual política de progressão continuada (em que o aluno passa de ano automaticamente), devido à qual muitos estudantes somente descobrem que têm o problema quando chegam ao ensino médio.O processo de identificação dos sinais do transtorno envolve sempre a pesquisa de sintomas na escola. Assim, procura-se orientar o professor para o reconhecimento do TDAH.Como identificar os sinaisO TDAH possui duas dimensões de sintomas: a desatenção e a hiperatividade/impulsividade.A desatenção é caracterizada pela baixa persistência às prioridades, dificuldade em "resistir" a distrações e falhas no reengajamento em tarefas após interrupção. Na escola, é comum ocorrer esquecimentos de entrega de trabalhos escolares, desorganização e desgaste na realização da lição de casa.Nas meninas, a situação mais comum é a daquela aluna comportada, quieta, que não participa das aulas (mas também não incomoda) e que está sempre distraída.O TDAH em meninas costuma ser subdiagnosticado porque elas exibem poucos sintomas de agressividade e impulsividade. Corresponde em torno de 10% a 25% dos casos e cursa geralmente com altas taxas de comorbidades, ou seja, é freqüente a coexistência com outros transtornos, principalmente com o transtorno do humor e da ansiedade. A idade do diagnóstico tende a ser mais avançada em relação aos meninos.A hiperatividade/impulsividade é caracterizada pela dificuldade de inibição motora, problemas para "sustentar" comportamentos inibitórios, atividades motoras e verbais excessivas e irrelevantes. A criança tem dificuldades em inibir os sistemas motores cerebrais. Na prática, ela não pára quieta nem por um instante, movimenta-se o tempo todo, não dá a mínima para o que está sendo ensinado, é impaciente e desassossegada.Não é limitaçãoO TDAH em si não pressupõe obstáculos ao aprendizado, embora, freqüentemente, seja caracterizado como tal. Ao contrário, é um distúrbio de realização. As crianças com TDAH são capazes de aprender, mas têm dificuldades de se sair bem na escola devido ao impacto que os sintomas têm sobre uma boa atuação.Entretanto, o seu desempenho escolar é inexplicavelmente irregular, pois não leva em conta sua dificuldade de ouvir, seguir instruções, prestar atenção e persistir até o final das tarefas.Avaliação médicaUma avaliação médica abrangente é essencial para investigar as crianças com comportamentos sugestivos de TDAH. Essa avaliação consiste em confirmar o diagnóstico ou identificar outros distúrbios que o simulam. Para que isto ocorra, é fundamental uma boa comunicação entre as escolas e os serviços relativos à saúde.O diagnóstico do TDAH é clínico, realizado com base no conjunto de evidências coletadas pelo médico na entrevista com o paciente, na observação, exame físico, relatórios e escalas de classificação do comportamento. A ênfase não pode ser somente nos sintomas. É necessário levar em conta o impacto e o comprometimento nas atividades de vida diária da criança.Estudos atuais têm demonstrado que os subtipos do TDAH podem oscilar ou até mesmo alterar-se ao longo do tempo. A tendência é classificar o TDAH em casos com sintomatologia mais intensa e casos com sintomatologia menos intensa.As formas subsindrômicas do TDAH, ou seja, as formas leves que não preenchem a rigor os critérios diagnósticos, podem ser manejadas, na maioria das vezes, sem a necessidade de medicamentos.É evidente que as dificuldades de se lidar adequadamente com a questão do TDAH somente poderão ser atenuadas através de um programa de psicoeducação continuada com a participação efetiva de todos os envolvidos com o problema.Infelizmente, mesmo com todos os avanços agora disponíveis sobre o TDAH, ainda há uma série de equívocos e informações imprecisas impedindo que a maioria das crianças atinja seu potencial e alcance uma qualidade de vida melhor. Nosso dever, como pais e profissionais, é compreender essas crianças e encontrar formas para ajudá-las a ser bem-sucedidas.



sábado, 27 de dezembro de 2008

TDAH – NEUROBIOLOGIA, NEUROGENÉTICA

TDAH – Neurobiologia, Neurogenética e a relação com os sistemas de maturação cerebral
No TDAH, algumas regiões cerebrais estão menos desenvolvidas e mais imaturas do que no cérebro de pessoas sem TDAH. Hoje, já é sabido que o desenvolvimento emocional de pessoas com TDAH é 30% mais lento que o de pessoas sem o transtorno.
Pesquisas com genética molecular indicam que o TDAH está associado a disfunções de neurotransmissores, principalmente do sistema dopaminérgico e noradrenérgico (SANDBERG, 2002). Os estudos genéticos são direcionados para a identificação de genes que regulam os sistemas dopaminérgicos, noradrenérgico e de outros neurotransmissores (CASTELLANOS, et al., 2002).Não há um gene específico que explique as disfunções dos NT, mas a interação de vários genes está envolvida na função de NT diferentes (herança poligênica) (VOELLER, 2004), sendo mais estudados aqueles referentes ao transportador da dopamina (WALDMAN et al., 1998; COMINGS et al., 2000, 2000b; COMINGS et al.,2005). Portanto, é consenso que nenhuma alteração em um só sistema de neurotransmissores seja responsável por uma síndrome tão heterogênea quanto o TDAH.
Os exames de neuroimagem tendem a mostrar que o cérebro de crianças não portadoras de TDAH não funciona de forma idêntica ao da criança com TDAH, que têm um desenvolvimento cerebral mais imaturo, e que não existe nenhuma evidência até o momento, que garanta que os exames de neuroimagem possam diagnosticar a hiperatividade. (Rohde et al, 1999). Essa também é a posição da Associação Americana de Psiquiatria da Infância e da Adolescência e do Comitê para Assuntos Científicos da Associação Médica Norte-Americana. Os exames de neuroimagem são úteis na pesquisa das funções cerebrais de déficit de atenção e hiperatividade, mas não fornecem dados definitivos. A maioria dos estudos sugere que o TDAH está associado a alterações do córtex pré-frontal e de suas projeções a estruturas subcorticais. Pesquisas recentes de neuroimagem têm avaliado em detalhes o circuito fronto-estriatal, sobretudo na região do córtex pré-frontal, caudado e globo pallido (Hendren,2000). Outros, mostram que também há alteração em córtex parietal posterior direito. Portanto, poderíamos chamar o TDAH de um transtorno “fronto-subcortical” (SCHMITT, 2000).
As principais alterações neuropsicológicas encontradas no TDAH são as de prejuízos em testes de atenção, de aquisição e de função executiva. O TDAH envolve também um déficit do comportamento inibitório e das funções executivas a ele relacionadas (BARKLEY,1997). Estudos indicam um envolvimento das catecolaminas, sugerindo que um baixo turnover de dopamina e/ou noradrenalina possa estar relacionado com a fisiopatologia do TDAH.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

TDAH: quando não compreendido, um transtorno11/07/2007
Nos depoimentos de mães, pais e especialistas no assunto, as semelhanças são marcantes. Os portadores do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) são impulsivos, agitados, irrequietos, ansiosos e tão inteligentes e carinhosos quanto mal compreendidos e rejeitados – o que acontece porque, quando se trata de TDAH, falta informação e sobra preconceito.Com um ano e quatro meses de idade, em 1986, Fernando começou a andar. A partir daí, ficar parado tornou-se algo simplesmente impossível para ele. Um ano e dois meses depois, sua mãe, Mara Narciso - endocrinologista, acadêmica de jornalismo e autora do livro Segurando a hiperatividade - decidiu levá-lo a uma psicóloga. Por ser "acelerado" e "incapaz de sossegar um minuto que fosse", Fernando ficava sujeito a toda sorte de acidentes. "Machucava a toda hora, e demorou muitos anos para entender que buraco era buraco e que pular dentro dele como se não existisse o faria machucar. Corria na direção de uma escada como se não houvesse desníveis", relata Mara.Quando Fernando tinha quatro anos, sua mãe o levou a um neuropediatra em Belo Horizonte que definiu o que ele tinha como Disfunção Cerebral Mínima, problema que se caracterizava exatamente pela hiperatividade. O médico disse a Mara que Fernando era o "segundo caso mais grave" que ele já havia visto em 25 anos.Hoje, cerca de 3% das crianças e de 1% a 1,5% dos adultos de todo o mundo apresentam o TDAH, que também é conhecido como DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção) ou, em inglês, ADD, ADHD ou AD/HD. A incidência parece ser maior entre o sexo masculino, mas os especialistas consideram esse dado ainda em discussão. Essas informações foram reveladas pelo psiquiatra Mario Louzã Neto, coordenador do Projeto Déficit de Atenção e Hiperatividade no Adulto (PRODATH) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP - Universidade de São Paulo, em entrevista divulgada neste site.Conforme explica a neurologista Lais Pires, a causa do TDAH está relacionada a uma predisposição genética - o que já foi comprovado através de estudos, inclusive com a análise comportamental de gêmeos univitelinos que viveram em ambientes separados e apresentaram, ambos, características de TDAH – e também a fatores ambientais: bebês prematuros podem ter uma chance maior de apresentar o Transtorno, que nesse caso estaria relacionado ao sofrimento ao nascer.A hiperatividade é apenas uma das três principais características associadas ao TDAH. As outras duas são a facilidade para se distrair e a impulsividade. Nas meninas, é mais comum a forma do TDAH em que predomina a desatenção: elas parecem tranqüilas, e na sala de aula muitas vezes se mostram quietas, sem perturbar o ambiente como os meninos. No entanto, essa aparente calma esconde um pensamento que voa e se distrai com ele mesmo, e a falta de aproveitamento escolar é refletida nas notas do boletim. Já nos meninos é mais comum a forma de TDAH que une a hiperatividade com a impulsividade, podendo ou não ser acompanhadas da tendência à distração. O aparecimento das três formas juntas configura a forma mista de TDAH.
A dopamina, estimulante que ajuda a fixar a atenção, está presente em menor quantidade no cérebro de quem apresenta o TDAH. Uma sensação de prazer é capaz de aumentar a produção e o aproveitamento da dopamina pelo cérebro – por isso quem tem TDAH, quando faz uma atividade de que gosta, é capaz de se concentrar melhor nela do que numa outra que não lhe é tão aprazível. Isso explica queixas constantes de pais com filhos agitadíssimos e com dificuldade para se concentrar nos estudos, mas que se saem bem no videogame: enquanto a tecnologia evolui a passos largos e os estímulos nesse sentido se tornam cada vez maiores às crianças, a escola permanece no mesmo formato e se torna pouco atraente em comparação com outros estímulos. Apesar de o nome do Transtorno ser constituído da expressão "déficit de atenção", a Dra. Lais destaca que na verdade os portadores do TDAH têm "excesso de atenção". "Eles não conseguem evitar que os estímulos competitivos entrem naquele momento em que eles têm que prestar atenção numa outra coisa; é como se fosse uma antena que estivesse captando interferências de outras", define. E não apenas fatores externos funcionam como estímulos: os próprios pensamentos também.O ambiente agitado que marca os dias de hoje, com a grande quantidade de estímulos que o constituem, é um fator que propicia a detecção da presença do TDAH num indivíduo. Dra. Lais destaca que, em outros tempos, os estímulos eram menos variados e as possibilidades de "perder o foco" eram também menores. Com isso, menos casos eram observados. Com o passar dos anos, cada vez mais casos de TDAH têm sido reconhecidos por pais, professores e especialistas.Diagnóstico requer cuidado; tratamento é indispensávelSegundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, o consumo de metilfenidato -anfetamínico potente usado no controle do TDAH, por agir aumentando a dopamina no cérebro - passou de 23 kg em 2000 para 93 kg em 2003, no Brasil. é comum crianças com TDAH tomarem remédio com esse princípio ativo para, entre outros fins, conseguir a concentração necessária para evitar o baixo rendimento escolar. A partir de uma análise desse panorama, a psicóloga Helena Rego Monteiro acredita que esteja ocorrendo o que ela chama de "medicalização da vida escolar"."Hoje, o que parece existir como única opção é a lente da biomedicalização querendo ensinar que não só o 'fracasso' do escolar e suas condutas disruptivas, mas a vida como um todo tem um determinado remédio, uma pílula. Hoje, não é raro encontrar em mochilas escolares uma caixa de remédio dividindo o espaço com o lanche, os cadernos e as canetas, dando-nos a impressão de que, naturalmente, fazem parte do material escolar".É fato que muitas das ocorrências comuns ao comportamento de alguém que tem TDAH podem ser identificadas em pessoas que não têm o distúrbio. E isso exige atenção. "Quem, nos dias de hoje, não faz mais de uma coisa ao mesmo tempo, ou melhor, várias coisas ao mesmo tempo? Quem não sente medo, não sente uma demasiada tristeza em certos confrontos com as produções de subjetividades do mundo contemporâneo? Então somos todos desatentos, hiperativos, portadores do pânico ou deprimidos?", questiona Helena, fazendo um alerta para que nem todos sejam taxados de TDAHs antecipada e equivocadamente.Para o cuidado necessário ao diagnóstico do TDAH, Dra. Lais tem uma definição que segue à risca: só existe transtorno quando há prejuízo. "Tem pessoas que tiram partido da sua hiperatividade: elas conseguem fazer muitas coisas ao mesmo tempo e fazem bem. Então não tem transtorno, elas vivem muito bem com a hiperatividade delas", diz, acrescentando que muitas vezes características de TDAH existentes num indivíduo não têm efeito significativo em sua vida e especificando que o maior problema do TDAH é atrapalhar as funções executivas.Nas crianças, essas funções seriam atividades do dia-a-dia como almoçar ou tomar banho, por exemplo, que poderiam deixar de ser momentos simples para se tornar demorados ou complicados, mostrando a dificuldade - comum aos portadores de TDAH - de começar e terminar uma tarefa. Na escola, as funções poderiam ser escrever uma redação ou ler o enunciado de uma questão de prova. Muitas vezes quem tem TDAH se sai mal em testes simplesmente porque não teve paciência de ler um texto até o fim. O grau de inteligência que eles apresentam é igual ao dos demais alunos, mas como seu desempenho passa a ser sempre baixo, eles se sentem desestimulados e mais uma vez a escola perde para uma série de outras atividades mais interessantes em que eles se saem bem. À medida que um indivíduo cresce, o grau de dificuldade das tarefas que ele precisa realizar tende a aumentar e, com isso, a frustração por não terminar as atividades ou não obter sucesso ao realizá-las também aumenta.Dra. Helena questiona a maneira como é feita a separação entre crianças "normais e anormais" e acredita que "o pior efeito do TDAH para a vida de crianças e adultos é ser rotulado pelo saber-poder médico como um 'doente'". A psicóloga explica que, para definir a existência do TDAH em indivíduos, os especialistas se baseiam em um manual, que ela não considera suficiente. "A partir do manual seremos capazes de separar doentes e sadios, normais e anormais; poderemos identificar aqueles que desviam do padrão. Nesse sentido, a pergunta que temos a fazer é: desviar do padrão não é bom para quem?"Dra. Lais conta que, antes de receitar remédio para um paciente, faz uma análise completa de como ele se comporta na escola, mas não se limita a isso. Ela também procura saber, através de relatórios, como é seu paciente em todos os outros ambientes de sua vida - em casa e em momentos de socialização e brincadeiras, por exemplo. Somente quando constata que em todos os setores ele apresenta características de TDAH ela tem certeza da existência do Transtorno e prescreve a medicação. Se o problema se verificar em apenas uma das áreas, a solução é diferente, pois não se trata de TDAH e então receitar metilfenidato seria um equívoco.Mara sempre achou Fernando diferente das outras crianças, levou-o a vários médicos até se certificar do que tinha e concorda com a Dra. Lais, afirmando que os prejuízos do TDAH são indiscutivelmente sentidos por ele em vários aspectos de sua vida. "Após quase cinco anos em duas faculdades, Turismo e Hotelaria, e depois Design, em que cursa o quinto período, meu filho pensa em largar tudo novamente. Está tentando entrar no mercado de trabalho fazendo Auto-Cad, é muito só e isolado, sofre muito com isso, e com todos os tratamentos que fez, ainda não se encontrou. Isso não é invencionice".Se ser taxado de "doente" é ruim, não ser diagnosticado e tratado pode trazer conseqüências ainda piores para quem tem TDAH. O site da Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA) afirma que uma de suas grandes lutas é que "o TDAH seja identificado num grande numero de crianças e adolescentes que estão enfrentando grandes dificuldades na vida acadêmica, sem receber diagnóstico ou tratamento adequado". A associação enfatiza ainda que, mesmo com o aumento de 940% das vendas de metilfenidato de 2000 para 2004, apenas 5% dos pacientes com TDAH no Brasil são tratados.Um grande problema da atualidade seria o uso indevido do metilfenidato. Pessoas que não precisam de fato da substância, mas que sabem que o medicamento resulta num aumento de concentração e poder de foco, têm recorrido a ele para render mais no trabalho ou conseguir dar conta, com sucesso, de um grande número de atividades, pressões e responsabilidades.Para cada caso, um tratamentoConforme enfatiza a Dra. Lais, a neurologia, sozinha, é capaz de tratar casos em que o TDAH se apresenta isolado de alguma outra condição associada – as chamadas comorbidades. Para essas ocorrências, uma medicação baseada em metilfenidato seria suficiente. No entanto, 2/3 das pessoas que têm TDAH têm comorbidades, que exigem a associação de tratamentos diferentes à neurologia. Um transtorno de ansiedade, por exemplo, poderia ser acompanhado por uma terapia cognitivo-comportamental; o aparecimento de uma dislexia necessitaria do acompanhamento de uma fonoaudióloga; transtornos afetivos de humor bipolar exigiriam o suporte de um psiquiatra e até de uma outra medicação.Fernando representa um caso em que foi necessário associar tratamentos diferentes. Hoje um estudante universitário de 23 anos de idade, ele já fez onze de psicoterapia e cinco de terapia cognitivo-comportamental. Só começou a tomar metilfenidato aos 16 anos de idade. Mara sentiu que o remédio, apesar de contribuir positivamente, não é suficiente sozinho e serve a um propósito específico: ajudá-lo a se concentrar nas aulas.Dra. Lais admite que o metilfenidato, apesar de geralmente ser bem tolerado, pode ter efeitos colaterais, mas somente enquanto a substância ainda estiver no sangue de quem a ingeriu. Inibição do apetite é geralmente o primeiro efeito, mas também pode ocorrer um aumento da emotividade em crianças. Taquicardia e dor de cabeça muito raramente aparecem. Associado à perda de apetite está o temor dos pais quanto a problemas de crescimento geralmente ligados à medicação. Na verdade, o que acontece é que em algumas fases da vida de quem toma o remédio o crescimento fica menos acelerado do que poderia - mas a altura final do indivíduo não é afetada, conforme explica a neurologista.A especialista explica ainda que o risco de o medicamento aumentar o uso de drogas é um mito que não procede, pois geralmente quem tem TDAH recorre às drogas procurando alívio e fuga após sofrer inúmeras e sucessivas frustrações, e o remédio serve justamente para ajudar a evitá-las e assim também diminuir a possibilidade de que as drogas sejam buscadas.TDAH em famíliaSegundo a neuropsiquiatra Tania Almeida, especializada no atendimento a famílias que têm membros com TDAH, é importante que os portadores do Transtorno e as pessoas que convivem com eles conheçam a maneira como funcionam. "O TDAH é uma disfunção que se expressa por comportamentos peculiares que, se conhecidos, podem ser levados em conta pelo próprio portador – para criar mecanismos compensatórios – e pelos que o cercam – para adequarem suas cobranças e ampliarem suas manifestações de reconhecimento pelo esforço que os portadores fazem para se adaptarem a determinadas exigências sociais".Uma dica é evitar a cobrança excessiva, valorizando o que é realmente importante. "Eles (os portadores de TDAH), eventualmente, precisam de mais tempo e mais silêncio para fazerem exercícios escolares e provas; precisam ser auxiliados a criar mecanismos compensatórios para não esquecer, não perder, se organizar, se concentrar; precisam que nós selecionemos dentre as mil e uma incorreções de seu comportamento, poucas para chamarmos atenção, sob pena de serem repreendidos ininterruptamente e ampliarem seu comprometimento no relativo à auto-estima", alerta Tania.A neuropsiquiatra enfatiza o quanto pode ser lucrativo o resultado de uma maior compreensão do TDAH. "Pais e parentes esclarecidos, professores e cuidadores esclarecidos, portadores e amigos esclarecidos sobre o funcionamento da disfunção podem com ela lidar de maneira mais favorável, ajudando a sobressair as competências que esses indivíduos também têm - muitas vezes, especiais competências - e não as suas incompetências".

TDAH - Entre tapas, beijos e conflitos matrimoniais


O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade ou TDAH é, como a própria palavra diz, um transtorno. Ou seja, uma perturbação, um impedimento, um obstáculo, carregando sempre uma carga de sofrimento significativo na vida da pessoa e de sua família. O TDAH é um transtorno do desenvolvimento que cursa com sintomas de desatenção, hiperatividade e ou impulsividade, em idade precoce na vida e disfuncionais e mal adaptativos à idade do sujeito, sempre gerando um forte impacto negativo e um prejuízo global na qualidade de vida da pessoa. Como se não bastasse, o TDAH cursa muito freqüentemente com problemas de aprendizagem além do outros transtornos psiquiátricos, como o transtorno opositivo desafiador, transtorno de conduta, transtorno de humor, transtorno de ansiedade, abuso de álcool e drogas entre outros. Como toda criança é hiperativa, fica muito difícil fazer diagnósticos precoces de TDAH. Só profissionais especialistas na área poderão estar aptos para tal. De todo modo, ainda é na escola o lugar onde fica mais fácil detectar essas crianças, pois a professora tem a condição de estar observando grupos iguais de crianças e com isso facilita ela perceber a inadequação da criança com TDAH. No caso do TDAH forma desatenta, a situação é mais crítica pois o transtorno é silencioso e não incomoda o professor. Nesses casos, o diagnóstico costuma ser feito muito mais tardiamente, com prejuízos mais acentuados para essas crianças. Nos casos tipo hiperativo ou combinado, a situação é mais alarmante, os sintomas “gritam” e, portanto são tratados mais precocemente. Como o TDAH é uma condição neurobiológica dimensional, como a hipertensão arterial, o diabetes, etc., ela pode se manifestar de graus que variam de leves a moderados.
Lembrar que no caso do TDAH as comorbidades são a regra – e não a exceção. Transcreverei, preservando qualquer detalhe que possa comprometer a identidade do paciente, um trecho de uma recente consulta a uma família com um filho portador de TDAH combinado sendo a mãe, portadora adulta de TDAH tipo desatento.
Segundo palavras da mãe do Breno, o casal foi feliz por cerca de 8 anos. No segundo ano de casados nasceu a Jéssica, o xodó da casa. Seis anos depois nasceu o Breno, e com ele, veio também a desagregação e a discórdia.
Ela já chegou na consulta chorando, falando e enxugando as lágrimas dos olhos. Nem Natal a gente tem mais. Pôxa, ele (o Breno) queria uma Árvore de Natal, eu comprei uma linda, grande, cheia de bolas e luzinhas com pisca-pisca, embrulhei os presentes, botei no pé da árvore, pensando que ele fosse ficar feliz... Mas deu tudo errado de novo... Aonde foi que eu errei? Sempre a culpa é minha, meu marido me culpa de tudo, diz que ele (Breno) puxou a minha família, que é perturbada e doida. O Breno, imediatista como sempre, não quis esperar pra abrir os presentes na hora da ceia de Natal e ontem mesmo já começou a gritar, pular, parecia um “encapetado”. Ele passou dos limites. O pai pegou-o pelo braço, empurrou-o para longe da árvore, ele caiu no chão, mas em segundos ele se levantou e “voou” em direção à arvore, quebrou uns galhos, umas seis bolas voaram pela casa. Ele pegou um brinquedo, arrancou o papel, dizendo que o brinquedo era dele e se era dele, ele podia abrir na hora que quisesse. O pai deu um berro, arrancou o presente da mão dele e foi arrastando o Breno até o quarto e o trancou lá dentro de castigo. Eu achei que ia desmaiar. Meu marido falou que ia passar a Ceia na casa do irmão. Que pra ele bastava e que ele estava ficando doente e qualquer dia podia até “matar” o garoto.
... o Breno sugou tudo de mim, dra, tudo, ele chorou por quase 2 anos sem parar. Vivia pulando de colo em colo. Só cochilava se a gente o ninasse forte e mesmo assim por uma ou duas horas. Eu e o meu marido nunca mais vivemos uma para o outro. Namorar, beijar na boca, transar? Uma ou outra vez na vida e no corre-corre, sem sossego... hoje em dia vivemos como irmãos. Durante alguns anos de casado, éramos uma família, mas agora somos um bando de “loucos enraivecidos”, uns “bichos”, dentro de casa. Estamos perdidos na selva que hoje é a minha casa.
E eu fico desesperada, ele (Breno) é igualzinho a mim, eu era assim, igualzinha a ele. O Breno com 5 anos já tinha sido expulso de 2 creches, não acompanhava a turma, só vivia batendo e empurrando os colegas. Não tinha medo de nada nem de ninguém e vivia arrumando problemas. Ou ele era o “pele” da turma ou aquele aluno que quando entrava na sala os colegas torciam o nariz... Toda hora a escola trocava o Breno de turma. Mas não adiantava nada. Eu não entendo: ele quer tudo na hora, do jeito dele! Senão fica furioso e sem controle! Não aceita “não” como resposta. Ele fica insistindo, insistindo, suplicando o que ele quer até eu perder as forças ou “surtar” e acabo deixando ele fazer o que quiser... Ele não para de repetir as mesmas coisas, a gente não agüenta, acaba cedendo porque senão nós vamos fazer uma besteira qualquer dia desses. Eu e meu marido também não nos agüentamos mais, a gente já jogou a toalha há alguns meses. A família tá uma “zona total”.
E pensar que o Breno ele era um docinho, ele era tão lindo, um anjinho! Por breves segundos o Breno dormia bem, mas até isso durou pouco... Ele dorme muito mal. Eu me sentia tão mal quando eu o pegava no colo, pois ele nunca ficava bem, nunca se encaixava no meu corpo. Parecia que eu não sabia pegar o meu filho no colo, ele nunca ficava à vontade. Ah, Dra., eu nunca me imaginei vivendo esse inferno. Meu Deus...
O Tininho (o marido) já cansou de dizer que vai embora, que não tem forças, que o casamento esfriou... Mas eu também não agüento mais!. Mas eu tenho que ajudar o meu filho. Eu preciso! A senhora me ajuda, doutora?
As histórias se repetem. Não muito diferentes umas das outras. O casal não sabe como lidar com o comportamento desafiador e impulsivo do filho, que acaba manipulando o casal e comprometendo o relacionamento e a paz de toda a família. Todos estão sem chão, perdidos e sem saber como fazer e como lidar com o “filho-problema”. Cheio de culpa, defensivos, reativos, sob um clima de alta tensão e hostilidade. Normalmente, nesses casos, as agressões verbais podem partir para agressão física e aí as situações ficam mais desesperadoras. Discussões violentas são comuns. Não raro o casamento acaba e todos se sentem traídos e injustiçados e com muita culpa. Usualmente, com o passar dos anos, os pais vão perdendo as forças, “passam a deixar tudo pra lá”, “a entregar o filho nas mãos de Deus”. Em meio às brigas, os xingamentos são muito freqüentes e a criança é tachada de todos os rótulos possíveis, alguns inimagináveis. Infelizmente, um percentual muito grande de crianças assim, acaba largando a escola ou indo trabalhar precocemente ou entrando para o mundo das drogas. Eles sentem-se “fora de lugar”, como “peixes fora d água”, um total fracasso. Em épocas de Natal, aniversários, Ano Novo ou outras datas de congraçamentos, essas famílias ficam constrangidas, obrigadas a “estarem bem e felizes” (quando é justo o oposto), brindando algo bom. Todos perguntam como estão os filhos, os que estão fazendo, se estão trabalhando, o querem fazer, etc. e essas famílias que têm um membro que não se adequa aos padrões normais da sociedade ficam deprimidas e envergonhadas e com o passar dos anos tendem a se afastar dos próprios familiares. Afinal, os filhos dos outros vão subindo na vida e fazendo estágios, se formando e etc., e tudo isso se torna muito doloroso em famílias onde um membro tem um problema que não o permite deslanchar na vida como o esperado...
Como não poderia deixar de ser, a vida sexual do casal desmorona, o clima de respeito, carinho, amor e companheirismo vai para o espaço e só fica lugar pra raiva, culpa, vergonha, dor, vontade de morrer e de sumir... “O que você fez na cabeça desse garoto para ele ficar assim?” essa coisa de um culpar o outro, isso é toda hora. Marido e mulher embrutecem, passam a ter raiva do mundo e fogem de todos, e aos poucos, todos fogem deles também...
Os divórcios e separações são a tônica da questão, com os pais ficando desencorajados, deprimidos, se achando as piores pessoas do mundo.
Vou transcrever um pedacinho da primeira sessão da família, comigo:
Mãe:
- Doutora, eu imploro, me ajude, eu não sei mais o que fazer. Dentro de casa é só tensão, discussão, meus filhos competem o tempo todo, o barulho é infernal...
Pai:
- Doutora, hoje eu sou uma homem nervoso, eu sinto que vou explodir a qualquer momento. Eu não estou agüentando mais --- ele aponta para a mulher.
Dra.:
- a sua esposa? Você não agüenta mais a sua esposa? Por quê?
Pai:
- ela não faz nada, nada, é muito nervosa, agressiva, e eu me sinto muito explorado. E o meu filho, eu não sei o que fazer. Eu quero sair de casa, mas a culpa não deixa. Tá vendo aqui? Eu fiquei diabético, uso até essa bomba no corpo. Fiquei hipertenso, o dinheiro não dá pra nada. Eu não sei o que fazer.
Breno:
- Dra, eu quero uma mobilete, eu posso? Eu juro que não vou correr, eu juro, eu juro, eu juro.....
Dra:
- mãe, como é o seu dia-a-dia? Como é isso, dele estar falando que você não faz nada?
Mãe:
- eu não sei doutora, eu não tenho ânimo, não tenho vontade de nada, às vezes eu estudo com ele, mas a verdade é que eu tenho uma empregada que faz as coisas pra mim, porque, eu não gosto de fazer nada... (diz ela, chorando muito).
Breno:
- eu fui espancado a vida toda. Espancado cruelmente, doutora, a senhora acredita em mim?...
Pai:
- É, eu batia muito nele, doutora, mas agora não bato mais, ou melhor, bato menos agora... esse menino me transformou num bicho...
Irmã do Breno:
- E eu sou negligenciada, abandonada essa família louca! É como se eu fosse morta, ninguém se importa comigo! Tudo é Breno pra lá, Breno pra cá! Todo mundo só berra e ninguém se entende! Ninguém tá nem aí pra mim!
Breno:
- Doutora, por favor, eu posso ter a minha mobilete? Eu fico bonzinho, eu juro, por favor...
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sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

FELIZ NATAL AOS MEUS AMIGOS!!!!!

FELIZ NATAL!! FELIZ NATAL!! FELIZ NATAL!! BJKS !
FELIZ 2 0 0 9 !!!
DESEJO A CADA UM DE VOCÊS, UM FELIZ NATAL, COM MUUUUITA PAZ E SAÚDE !!!
EVELYN VINOCUR

QUEM ADIVINHA O QUE ESTÁ ESCRITO ABAIXO, NESSES CÓDIGOS? HUM... QUERO VER QUEM ADIVINHA!!

EVELYN VINOCUR =

BOM, APOSTO QUE NINGUÉM ADIVINHOU!
QUER SABER?

EVELYN VINOCUR!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

palestra da dra Evelyn apoio laboratório Libbs sobre bupropiona

Palestra para médicos, proferida pela Dra Evelyn Vinocur, diretora científica da AMETA, sobre a BUPROPIONA. Foi o último encontro científico de 2008 promovido pela AMETA, Associação de Médicos da Tijuca e adjacências e recebeu o patrocínio do Laboratório Libbs. Foi um evento muito produtivo e ao final os médicos falaram sobre a sua experiência com a bupropiona. O evento contou com a presença de psiquiatras, ginecologistas e endócrinos e ao final foi servido um coffe-break. A Diretoria científica da AMETA estará promovendo várias palestras ao longo do ano de 2009, direcionadas a todas as especialidades com o intuito de aumentar a produção do saber e fazer o congraçamento dos sócios. Agradecimentos da AMETA à Simone e as representantes Luana e Cristiane, do LAboratório Libbs. A AMETA deseja um Feliz Natal e um 2009 cheio de sucesso e boas surpresas!!

domingo, 7 de dezembro de 2008

TDAH - na escola, na família, habilidades sociais e tratamento

TDAH A BANALIZAÇÃO DO DIAGNÓSTICO
Muita gente fica dizendo por aí que é hiperativo. Cuidado! Na verdade, o TDAH corresponde a apenas cerca de 5% da população mundial. É importante consultar um especialista antes de fazer um diagnóstico, pois o problema pode ser outro.QUEM PERCEBE?Normalmente, a professora tem mais facilidade para notar uma criança quando essa se destaca dos seus pares. Afinal, ela passa muitas horas do dia com um grupo de crianças iguais em termos de idade e condição intelectiva e fica fácil para ela identificar uma ou duas, dentro da sala, que saem muito do comportamento esperado em aula. Assim, cabe as professoras a responsabilidade de avisar a coordenação da escola para que essa se encarregue de chamar os pais e solicitar uma avaliação para a criança.
SINTOMAS
Geralmente, crianças portadoras de TDAH apresentam dificuldades em manter a atenção em um mesmo foco por um certo tempo, são inquietas, não conseguindo ficar paradas na carteira, se mexem o tempo todo, atrapalhando o ritmo da aula. Não raro são impulsivas, têm dificuldade para esperar a vez e tudo isso junto acaba se tornando um fator de exclusão pelos colegas. Podem ser sensíveis, muito sinceros e se envolverem em confusão constante com os colegas, ficando impopulares no grupo. Não costumam ter habilidades na parte social, o que dificulta ainda mais a manutenção das amizades. Têm muita dificuldade em seguir regras, aceitar limites, e é muito importante sabermos diferenciar se a criança não consegue mesmo submeter-se a regras ou se ela simplesmente não tem vontade em acatá-las, condição que é comum em outros transtornos que não o TDAH. Vale ressaltar que o TDAH pode cursar com outros transtornos de comportamento, dificultando o diagnóstico do caso.
DIVULGAR FAZ A DIFERENÇA
Infelizmente, ainda é muito grande a falta de conhecimento sobre os transtornos mentais na infância e adolescência e como eles se comportam e como podem evoluir ao longo da vida. Muita gente ainda pensa que criança não sofre e muito menos que tem problema emocional. Lamentavelmente, muitos profissionais das área de Saúde e Educação desconhecem a complexidade das implicações de um diagnóstico errado e podem acabar generalizando e colocando as crianças dentro de um espectro restrito, como se toda criança hiperativa ou desatenta fosse TDAH e ponto.
TRATAMENTO MULTIDISCIPLINAR
Ainda nos dias de hoje, muitos pais deixam seus filhos fazendo tratamento com um só profissional, ainda que não vejam resultados satisfatórios. Lembrar que um profissional sozinho não consegue tratar de uma criança. É indispensável que o tratamento seja feito com vários profissionais diferenciados e especializados em Saúde Mental da Infância e Adolescência. Psiquiatra, psicólogo, fonoaudiólogo, psicopedagogo, psicomotricista, terapeuta de família e outros são fundamentais para o tratamento da maioria das crianças. Vemos com freqüência situações de perda de tempo e desgaste, anos a fio sem resultado e famílias ressentidas, frustradas, desgastadas e com raiva por todo um investimento emocional e financeiro sem retorno. Em outras palavras, sempre é importante que a criança seja avaliada por mais de um profissional especializado.
ÉTICA
Muitos profissionais são honestos e éticos. Sabem dos seus limites. Cada profissional representa uma parte do contexto. Tratar uma criança representa consciência e responsabilidade. Isso é a ética profissional. A todo o instante, a ciência evolui no campo da Saúde mental da infância e adolescência, cabendo aos profissionais participarem de simpósios, palestras, congressos, grupos de estudo, etc., sempre se atualizando, pois esse domínio está em franca expansão e a cada dia surgem novas pesquisas e técnicas mais eficazes para o manejo dessas crianças. Infelizmente, ainda vemos alguns profissionais tentando – sozinho – suprir todas as demandas de transtornos que necessitam de tratamentos com profissionais de diferentes áreas de atuação.A CRIANÇA PRECISA DE SUPORTECrianças com TDAH apresentam, geralmente, fraco desempenho escolar, dificuldades de atenção, hiperatividade e impulsividade, com grande dificuldade na realização de tarefas. Ao contrário do que muitos pensam, o TDAH não é um transtorno de aprendizagem, podendo cursar com dificuldades no aprendizado. Também não é real o que muitos pensam que crianças com TDAH são gênios, na verdade, são crianças normais, com níveis normais de inteligência. Algumas crianças podem se dar bem nas provas, não sendo necessário a presença de notas baixas. Os portadores de TDAH podem estudar na véspera, xerocar cadernos de colegas e tirar boas notas. Principalmente as crianças que gostam de estudar. Os portadores de TDAH fazem muito bem aquilo que gostam. Nunca banalize ou desconsidere os motivos caso seu filho for expulso ou repreendido várias vezes em sala de aula. Procure saber o que se passa e leve seu filho para ser avaliado por um especialista. Providencie o que for necessário para que ele desenvolva seus pontos fracos. Nada ocorre por acaso. É comum ouvirmos pais dizerem que os filhos não dão para os estudos, mas na verdade, qual é a criança que quando não consegue aprender, vai gostar de estudar? Reflita sobre isso com carinho.
HABILIDADE SOCIAL BAIXA
O comportamento agressivo, impulsivo e a pouca habilidade social podem resultar em baixa aceitação pelos colegas, professores e familiares. Geralmente eles se tornam impopulares dentro do grupo, ficando isolados e sentindo-se abandonados e fracassados, sem entendimento do que está se passando. Por isso a criança precisa muito de ajuda. A falta de habilidade social pode também resultar em comportamentos evitativos ou de fobia social, resultando em comportamentos de esquiva em situações onde ele tem que ser avaliado, falar em público, abordar uma garota entre outras. Atividades de teatro, dramatização, leitura em voz alta, acolhimento e atenção, elogios e integração da criança dentro do grupo vai facilitar muito a vida da criança. Técnicas específicas de treinamento em habilidades sociais são imprescindíveis, tais como aprender a ouvir os outros, como fazer novas amizades, como iniciar e manter novas conversas, aprender a compartilhar, agradecer, se desculpar, oferecer ajuda, elogiar e aceitar elogios, trabalhar cooperativamente, compreender como o seu comportamento afeta os outros, ter empatia, etc.
ABANDONO
Se a criança for deixada de lado, rejeitada e desacreditada, o clima vai favorecer o crescimento do estigma social e preconceito. E “criança quando pega fama, deita e rola na cama”, como diz o ditado popular. Ainda mais que muitas delas, portadoras de TDAH, são mais imaturas, pois o TDAH cursa com imaturidade do sistema nervoso centra de mais ou menos três anos em relação as crianças sem TDAH, e geralmente elas acabam se tornando os “bobos da turma”, “os peles”, etc. e tudo isso favorece o seu distanciamento e desajuste na turma. Crianças com TDAH podem agredir as crianças sem o transtorno nos vários ambientes, escola, casa, rua, etc., por não dar conta de lidar com sentimentos negativos e destrutivos que acabam surgindo dentro delas e como são impulsivas, partem para a ação, falando e agindo sem pensar. Elas relatam sentimento profundo de fracasso precoce e muitas não entendem o motivo de não conseguirem ser como a maioria dos colegas, gerando auto-estima muito baixa e não raro, quadros depressivos e ou ansiosos. As comparações são feitas de modo muito sofrido por essas crianças, que se vêem rejeitadas enquanto outras são abraçadas, queridas e bem sucedidas. Um erro muito freqüente observado em nossa prática diária é o falso entendimento por parte de alguns pais que ao acharem que os filhos - por não aprenderem - nunca terão bom desempenho acadêmico e profissional e acabam por inseri-los precocemente no mercado de trabalho, mesmo que sem preparo e orientação para tal. Pesquisam mostram altas taxas de repetências e evasão escolar em portadores de TDAH.
RESULTADOS
O TDAH é 90% um transtorno genético e dimensional, podendo ir de casos leves à graves. Por isso, modere a expectativa. O certo é que, com o tratamento adequado, a criança vai ter grande melhora em todos os segmentos de vida.PAPEL DA ESCOLAA escola pode contribuir muito ao criar as suas estratégias pedagógicas. Manter rotinas em sala, constantes e previsíveis, estruturar regras claramente definidas e estabelecer limites ao comportamento, são alguns dos manejos importantes para o melhor desempenho do aluno. A criança com TDAH necessita de um nível mais alto de estimulação para funcionar melhor. É necessário envolvê-la em discussões, insistindo para que ela dê suas opiniões sobre os pactos e regras combinados. Dar funções especiais e destaques em sala de aula são recursos importantes. Distribuir papéis, apagar o quadro, transformá-la em ajudante de alguma coisa etc. Um sistema de sinais secretos, em que se avisa a criança quando ela ameaça extrapolar os limites, favorece o aluno e fortalece o vínculo relacional, evitando expor a criança mais uma vez ao grupo e à banalização das punições.
TRATAMENTO
A escola deve avaliar a eficácia do tratamento diretamente com os profissionais e exigir que os familiares levem a criança para se tratar. Essas crianças devem ser encaminhadas inicialmente ao psiquiatra infantil, independente de ser escolas públicas ou privadas, pois no SUS, em diversos centros de saúde mental, encontra-se atenção a esses casos. No mundo atual, com tantos recursos tecnológicos e psicofarmacológicos, é inconcebível que uma criança, cujo comportamento em interação influencie negativamente toda uma turma, fique sem atenção psiquiátrica e medicamentosa, quando necessário. É de suma importância ainda o acompanhamento psicoterápico. Ressaltar que os profissionais precisam ser especialistas em saúde mental da infância e adolescência.Algumas escolas trabalham em parceria com Núcleos de Saúde Mental da Infância e Adolescência, ou seja, são escolas que trabalham vinculadas a uma Equipe de profissionais competente no assunto. Essa estratégia de parceria mostra redução significativa nas taxas de repetência e de evasão escolar pois todos os problemas que ocorrem são rapidamente resolvidos dentro da Equipe de confiança da Escola, onde todos interagem em prol da criança e de seus familiares, que também são atendidos e acolhidos pela Equipe de Saúde Mental parceira. A escola, então, de posse do retorno desse profissional in loco, tomará as decisões cabíveis em cada situação. Isso tonifica os métodos disciplinares, tornando as regras mais fortalecidas e longe da vala da banalização.
CONCLUSÃO
Medidas complexas para casos complexos são a única maneira de dar a atenção necessária e assim acabar de vez com o paradigma de problema insolúveis. Frente a esse desafio, propomos um novo modelo de atendimento, baseado numa parceria escola – família - equipe especializada em saúde mental da infância e adolescência. Não é novidade que cada vez mais as escolas precisam estar capacitadas e competentes para receberem esses alunos. Os pais procuram, insistentemente, as escolas que tenham recursos adequados para o desenvolvimento global dessas crianças. Este é o modelo da melhor Escola.
CIESC – CENTRO INTEGRADO DO ESTUDO DO COMPORTAMENTO
tel: (021) 2576-5198
DRA EVELYN VINOCUR
http://www.tdahemfoco.com.br/
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sábado, 6 de dezembro de 2008

DEPRESSÃO NA MULHER

DEPRESSÃO NA MULHER
Você já ficou de mau humor, resmungona e chata, achando a vida “um porre” e doida pra “chutar o balde?” Fique atenta, pois você pode estar com depressão. Isso mesmo. Nem sempre a depressão aparece daquele jeito clássico, onde a pessoa fica triste, chorando, deitada na cama, sem vontade de comer e com vontade de morrer ou de se matar. A depressão pode surgir com irritabilidade, cansaço, sensação de desamparo e desmotivação. Ou através de doenças, como vaginites, gripes, herpes, gastrites, cefaléias, etc.
Mulheres de meia idade, entre 35 e 50 anos, passam por um período de alterações clínicas distintas, que pode decorrer de oscilações hormonais mais significativas, produção mais baixa dos hormônios ovarianos, irregularidades menstruais, alterações urogenitais, do sono, da memória e/ou do humor. Das perturbações do humor, de longe, é a depressão a queixa mais prevalente de mulheres em período perimenopausa, principalmente as que já manifestaram quadros depressivos ao longo da vida. A depressão é um transtorno complexo e que se manifesta, como vimos, através de sintomas físicos e psíquicos. Lembrar que a depressão e a distimia também podem cursar como uma comorbidade do TDAH ou Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. É sempre orientado ao especialista fazer uma triagem para o TDAH, pois no TDAH as comorbidades são a regra, e não a exceção.
A transição menopausal pode ser dividida em período perimenopausa (declínio da função ovariana até um ano após a menopausa, menopausa (término da atividade ovulatória folicular e um ano de amenorréia, ou seja, sem menstruar) e pós-menopausa (após um ano sem menstruar). Esse declínio hormonal modifica o “eixo hipotálamo-hipófise-gonadal” feminino, com baixa secreção dos estrógenos e dos níveis de progesterona também, sendo essa uma das razões porque a mulher deprime mais que o homem, numa proporção de 2:1 a favor das mulheres, é claro, que apresentam vários tipos de transtornos do humor, desde a famosa TPM, à aos episódios depressivos na gestação (20%), ou no pós-parto (15-20%), ou na menopausa ou no climatério. Para não falar dos quadros depressivos das crianças e adolescentes, cada vez mais evidentes em nossa sociedade. Na verdade, as oscilações da produção de hormônios sexuais podem alterar o humor da mulher em qualquer idade. Não raro, a depressão fica bastante agravada por fatores de ordem emocional e ou ambiental. Mas na verdade, temos que saber que existe a possibilidade de o quadro depressivo estar “mascarando” a ocorrência de um distúrbio hormonal, que obviamente, só vai cronificar o episódio depressivo. Fatores de risco importantes compreendem o relacionamento conjugal desgastado ou rompido, apego excessivo da mulher na criação dos filhos, histórico de depressão ou outros transtornos psiquiátricos na família, doenças clínicas, condição socioeconômica baixa, baixa escolaridade, perda precoce dos pais, entre outros. O problema pode ainda se ampliar, quando vários sintomas se sobrepõem, dificultando o diagnóstico.
Nos casos mais graves, a indicação é de que sejam usados medicamentos antidepressivos além da terapia hormonal. Se ansiedade estiver presente, deverá ser administrado um ansiolítico como coadjuvante. O tratamento exige remissão total dos sintomas. Senão, o índice de recorrência é alto, cada vez mais, a cada episódio depressivo. Mulheres que já apresentaram mais de três episódios depressivos deverão fazer tratamento com antidepressivos por tempo indeterminado, uma vez que as chances de recuperação total se reduzem a menos de 10%. Ficar ciente e atenta aos efeitos colaterais dos antidepressivos que podem variar desde boca seca, náusea, cansaço, tremor, prisão de ventre, sonolência, tonteira, ansiedade, dor de cabeça, ganho de peso, diminuição da libido, esquecimentos, e outros, que são motivo de altas taxas de abandono e não adesão ao tratamento. A influência dos efeitos colaterais dos antidepressivos sobre a função sexual vai depender do tipo do antidepressivo usado. A bupropiona e a mirtazapina são os antidepressivos que menos causam prejuízo na libido. Estratégias sugeridas para minimizar os efeitos colaterais dos antidepressivos sobre a função sexual incluem conhecimento do fato pela paciente, reduzir dose do antidepressivo, substituir o antidepressivo quando possível ou acrescentar “antídotos”, como a bupropiona (inibidor da dopamina, que aumenta a libido) aos inibidores da serotonina, que geralmente causam prejuízo da libido. O risco de a bupropiona induzir disfunção sexual se assemelha à do placebo, sendo a bupropiona o antidepressivo de escolha para o tratamento da depressão em mulheres com queixas sexuais ou aquelas no climatério ou na menopausa. A disfunção sexual, própria da depressão e das alterações hormonais dessa fase não é alterada com a administração da bupropiona. Ao contrário, ela pode até beneficiar a atividade sexual além de tratar a depressão. Sendo a bupropiona um agente dopaminérgico e noradrenérgico, vai estimular mulheres apáticas, letárgicas, obesas e com o grande diferencial de outros antidepressivos que é não causar ganho de peso. Vale ressaltar que a disfunção sexual pode ser um sintoma prodrômico da depressão tanto quanto um sintoma próprio ou inerente à depressão ou ainda um sintoma residual de um quadro depressivo. Consulte um especialista de confiança na área.
Texto extraído e modificado do livro “Sexualidade humana e seus transtornos, Abdo CHN, 2a edição, 2002, Lemos editora”, por Evelyn Vinocur.

GRUPO DE APOIO A PAIS E PORTADORES DE TDAH

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Especialista dá as dicas para se tratar ou descobrir os sintomas A psicoterapeuta cognitiva comportamental Evelyn Vinocur realizará no dia 08 de dezembro, às 17 horas, um grupo de apoio a portadores e familiares com TDAH Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. O evento será gratuito é contará com o sorteio do livro "No mundo da Lua" ou "Levados da Breca", ambos falando sobre o TDAH.Os participantes se focarão na leitura de obras que esclarecem a doença e poderão relaxar com os lanches que serão servidos.A especialista esclarece que se trata de uma ocasião muito especial em que é possível compartilhar experiências e aprendizado. Afinal, todo trabalho em grupo enriquece muito, trazendo conforto e soluções para todos os participantes.Os encontros são mensais e quem já tiver um compromisso marcado para a data poderá participar em outra ocasião.Local: Av. 28 de setembro nº 389 no 7º andar, auditório Vila Isabel Telefone: (21) 2576-5198 ou (21) 7811-1694 Para saber mais, acesse:
www.evelynvinocur.com.br
http://newsletter.minhavida.com.br/site/